Após querer ‘fechar’ escola e dar pão seco como merenda, Aprígio exalta crianças

Especial para o VERBO ONLINE

Pão seco e cereal como merenda aos alunos - após reclamação dos pais, bisnaga foi trocada, mas por bolacha; Aprígio em festa do Dia das Crianças | Divulgação

ADILSON OLIVEIRA
Especial para o VERBO ONLINE, em Taboão da Serra

O prefeito Aprígio (Podemos) exaltou as crianças no último dia 12 de outubro, data dedicada aos pequenos, mas entregou pão seco e até água como merenda aos alunos de creche e ensino fundamental da rede de ensino de Taboão da Serra, e ainda quis fechar uma escola que atende crianças com deficiência, o Amor Perfeito, de acordo com o vice-prefeito José Vicente Buscarini (PSD). Aprígio se notabiliza por ter discurso diferente da prática.

Conforme postou em rede social, Aprígio esteve em “diversos bairros para prestigiar as tradicionais comemorações do Dia das Crianças” e parabenizou sete vereadores por “proporcionar um dia de diversão para os pequenos”. “As crianças são o futuro do nosso mundo”, escreveu. No sábado (16), presente em evento de outro parlamentar, ele disse que “ver o sorriso no rosto das nossas crianças é o que nos move nesse processo de reconstrução”.

No entanto, a realidade proporcionada às crianças pelo governo Aprígio não é lúdica. Mesmo depois de quase nove meses sem atividades em classe, a gestão retomou no último dia 27 as aulas presenciais, parcialmente, porém, sem ter se preparado para receber os alunos no retorno às escolas. Em vez de refeição verdadeira (comida no prato), a Secretaria Municipal de Educação serviu aos pequenos como merenda pão seco, barra de cereal e até água.

Nas redes sociais, vários pais reclamaram em coro. Em confirmação da “chiadeira” sobre a chamada “merenda seca”, uma moradora procurou o VERBO para protestar contra o que a prefeitura oferece para uma criança de 5 anos durante o período de aula. “Você viu a merenda que está sendo servida nas escolas? Pão seco, uma barrinha de cereal e um copo de leite de soja. Foi o que minha neta comentou ontem”, disse a avó, no dia 28 de setembro.

No dia seguinte (29), a situação piorou. “Minha neta chegou da escola e falou que hoje deram água em vez de suco e leite. Aliás, ela tomou água, pois o suco estava ruim. É a nossa nova gestão”, reprovou a avó. Após críticas de pais e questionamento da reportagem, a secretária Dirce Takano (Educação) admitiu servir pão “seco” às crianças. Ela alterou, mas apenas trocou a bisnaga por uma bolacha doce e acrescentou uma fruta – nada de refeição.

Na contra-mão das palavras “afetuosas” sobre a infância, Aprígio também quis fechar o Centro Municipal de Habilitação e Reabilitação Amor Perfeito, que atende crianças e adolescentes de 3 a 18 anos com deficiências moderadas e graves. A revelação veio a público após a briga política entre ele e o vice. Em entrevista no último dia 22, Buscarini disse que chegou a ter uma discussão com Aprígio por ter intenção de interromper o serviço.

“Eu tive uma briga com o ‘seu’ Aprígio… Briga, não, discussão. Colocaram na cabeça do ‘seu’ Aprígio que tinha que fechar a escola Amor Perfeito. É brincadeira? Quem comprou a briga? Buscarini. É a menina dos meus olhos. A escola Amor Perfeito é um legado, passaram-se prefeitos e ela continua lá, sozinha, isolada. O [meu] compromisso com o ‘seu’ Aprígio era dar prioridade ao Amor Perfeito. Mas iam mudar, pegar o prédio”, contou Buscarini.

“Eu virei o ‘bicho’! Aí arrumamos com o Carlinhos, [o deputado federal do PT] Carlos Zarattini uma emenda de R$ 600 mil para reformar [a escola], mas o projeto não tinha. Vai para outra área da educação e não vai para o Amor Perfeito – com a possibilidade de ter que trocar para poder reformar, modernizar. Chega a esse ponto. E eu não sei, ele [Aprígio] não consultou, não perguntou. É aí que me deixa extremamente estarrecido”, declarou Buscarini.

OUÇA BUSCARINI REVELAR QUE APRÍGIO QUIS FECHAR O AMOR PERFEITO, PARA CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIA

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