Sob Aprígio, UBS não atende paciente, chama Guarda, e entrega remédio ‘vencido’

Especial para o VERBO ONLINE

Viatura na UBS Suiná logo após Adriana reclamar de mau atendimento; paciente diz que diretora que chamou GCM para 'ir presa'; remédio vencido | AO/Verbo

ADILSON OLIVEIRA
Especial para o VERBO ONLINE, em Taboão da Serra

Uma moradora de Taboão da Serra usuária da UBS Suiná (região do Pirajuçara) não foi atendida no horário da consulta marcada, teve um paciente passado na frente e ao reclamar ouviu a diretora falar que ia chamar a Guarda Municipal para ser retirada do posto de saúde e “ir presa”. A cuidadora Adriana Alonso teve aborrecimento ainda pior semanas atrás ao retirar medicamento para a filha pequena e receber da unidade um remédio “vencido”.

Adriana procurou a UBS no dia 13 de agosto para exame de papanicolau e passou muito nervoso. “Venho para consulta marcada, a enfermeira falou que me chamou, sendo que estava sentada esperando há mais de meia hora. Cheguei às 10h20 e esperei até as 11h. A enfermeira chegou às 11h, sendo que o atendimento era às 11h. Ainda mandou eu esperar e passou a pessoa da senha seguinte porque estava preenchendo papel”, relatou a paciente.

“Se tem consulta marcada com senha, não tem porque preencher papel antes de passar na médica, estou no meu direito”, comentou Adriana, sobre ser atendida no horário agendado. O problema maior foi a forma como a paciente foi tratada. “Ainda me ameaçaram de chamar a polícia para me levar presa, sendo que estou no meu direito de questionar uma coisa que está marcada, eu não cheguei para pedir encaixe”, contou a moradora.

“Eu vim no mês passado marcar. Nem clínico a gente consegue marcar, tive que implorar para passar no ginecologista, para marcar pediatra para a minha filha, nesta porcaria. Estou esperando quase 30 dias para marcar o transvaginal e nada. E hoje fico mais de meia hora esperando, chega a minha vez e tenho que esperar a senha oito passar na frente, se a minha é a sete. Isso é uma palhaçada. E ainda ser ameaçada de ir presa”, protestou.

Adriana falou com o VERBO ao deixar a UBS no própria dia da consulta – este portal estava no posto e viu a paciente ser destratada. Ela afirma que a diretora que a ameaçou. “A Patrícia falou que ia chamar a GCM para eu ir presa porque eu estava desacatando. Isso é uma palhaça, uma vergonha. E fiquei sem passar na consulta”, disse. De fato, menos de cinco minutos depois de a paciente deixar a UBS, uma viatura da GCM chegou à unidade.

A UBS deixou a moradora insatisfeita pela segunda vez em curto espaço de tempo, depois de situação ainda mais grave. Após passar a filha de 4 anos no pediatra, ela recebeu do posto um anti-alérgico com vencimento justamente no próprio dia do atendimento. “É o ‘Loratamed’. No dia 30 ela passou na consulta, e ele [funcionário da farmácia] deu a medicação com vencimento no dia. Eu não prestei atenção na hora e dei para a minha filha”, disse.

Adriana voltou à UBS para reclamar. “A diretora simplesmente falou que ‘acontece’. A [funcionário da] farmácia falou que ‘não tem problema, não é porque o remédio estava vencido que ia fazer mal'”, contou. Ela ficou com o medicamento vencido. “[A diretora] Queria ficar com ela, eu disse que ‘não, que ia ficar comigo’. Aí o farmacêutico veio com a cara deslavada, como se fosse normal um farmacêutico dar medicamento vencido”, reprovou.

A paciente disse que ia reclamar na Secretaria de Saúde, mais uma vez, depois de receber o remédio vencido. “Eu não passava neste posto. Como mudei para cá, o endereço é daqui [da área da UBS], não tive opção, tive que passar nesta porcaria. Só comigo em menos de 15 dias já é a segunda vez [o problema de atendimento], primeiro a medicação e hoje isso”, disse Adriana, sobre não ter conseguido passar em consulta e ser ameaçada de detenção.

OUTRO LADO
Procurado por este portal, o governo Aprígio não se pronunciou, apesar de a Secretaria de Comunicação ter sido questionada na segunda-feira (30). Nesta quinta-feira, a reportagem esteve na UBS para ouvir a diretora sobre a denúncia de que chamou a GCM para a paciente “ir presa”, além do mau atendimento. Patrícia Pontes alegou não poder falar e foi orientada a dizer para procurar a Comunicação, mesmo informada que a pasta faz pouco caso.

OUÇA A PACIENTE ADRIANA ALONSO RECLAMAR DO ATENDIMENTO NO SUINÁ E DE MEDICAMENTO VENCIDO

LEIA+ Moradora sofre ‘jogo de empurra’ e não tem clínico em UBS; gestão Aprígio se cala

comentários

>