Arquiteto, urbanista e ex-secretário de Embu, ‘humanista’ Geraldo Juncal morre aos 55 anos

Especial para o VERBO ONLINE

Geraldo Juncal, o Gera, ao receber o título de "Cidadão Embuense", em 2016; o arquiteto e urbanista morreu em decorrência de câncer de intestino | PMETEA

ALCEU LIMA
Especial para o VERBO ONLINE, em Embu das Artes

O arquiteto, urbanista e ex-secretário de Embu das Artes Geraldo Juncal morreu na tarde desta quinta-feira (2), aos 55 anos, em decorrência de câncer. Gera, como mais conhecido, tinha descoberto há um ano e meio um tumor no intestino, passou por uma cirurgia bem-sucedida, mas precisou receber bolsa de colostomia. Ele voltou à mesa de operações para retirar o material, no Hospital Oswaldo Cruz, em São Paulo, mas teve complicação e não resistiu.

Gera foi secretário de Embu nos governos Geraldo Cruz (2001-08) e Chico Brito (2009-2016) (ambos então PT). Após chefiar em 2003 e 2004 a Companhia Pró-Habitação, ele comandou a pasta de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente, quando foi o responsável por elaborar projetos da maioria das secretarias que captaram recursos para várias obras, sobretudo de habitação, como o que criou 1.600 moradias pelo programa “Minha Casa, Minha Vida”.

Gera também viabilizou verba estadual e federal para outros equipamentos para Embu, como o CEU Jardim do Colégio e a UPA Santo Eduardo. A pasta que comandou coordenou ainda a revisão do Plano Diretor e regularizou loteamentos irregulares. Em 2014, ele se tornou estreito auxiliar de Chico e foi nomeado chefe-de-gabinete, quando a chegou a ter o nome ventilado para ser o candidato do prefeito à sucessão municipal, dois anos adiante.

Em outubro de 2014, porém, após Chico fracassar em eleger o candidato a deputado estadual que lançou, Gera voltou para o Desenvolvimento Urbano, na qual sempre foi aliado dos movimentos de moradia. Em novembro de 2015, ele deixou a prefeitura de Embu para ser presidente da Companhia Metropolitana de Habitação (Cohab), de uma das maiores metrópoles do mundo, São Paulo, convidado pelo então prefeito Fernando Haddad (PT).

“Agradeço o empenho do Gera, o legado que deixou é extremamente importante para nossa cidade. Arrecadamos mais de R$ 400 milhões em convênios”, frisou Chico, em concorrida despedida ao ex-secretário. “Minha relação com Embu das Artes extrapola esse momento. Nós conseguimos envolver os movimentos sociais no processo de desenvolvimento da cidade. Hoje eles são nossos parceiros”, disse Gera, prestigiado por militantes de moradia.

Em dezembro de 2016, o paulista de Araçatuba voltou ao município que o fez um grande formulador de políticas sociais, para receber o título de “Cidadão Embuense”. “Tive a maior satisfação e orgulho de ter dado o título de cidadão ao Gera, uma pessoa ímpar que conhecia Embu na palma da mão. Tenho grande gratidão por tudo que ele fez de bom para a nossa cidade”, disse o ex-vereador Edvânio Mendes (PDT), proponente da honraria, ao VERBO.

“Os movimentos sociais, principalmente de moradia, serão eternamente gratos a ele por tudo que fez em favor dessa camada da população excluída. Embu das Artes deve muito a ele pelo progresso que tivemos nos últimos anos, inclusive pelo Plano Diretor”, ressaltou Edvânio, ao se somar às inúmeras lideranças da cidade e de fora em expressão de pesar, em demonstração de grande admiração por um profissional extremamente gabaritado.

O Instituto de Arquitetos do Brasil disse que Gera “foi uma grande referência na defesa do direito à moradia digna”: “Fundou, em 1993, o Grupo Técnico de Apoio – GTA, uma instituição social que desenvolve estudos, projetos e serviços voltados à melhoria do ambiente habitado e à população de baixa renda. Foi um militante frequente e parceiro de diversos movimentos por moradia, dedicando sua vida na transformação da nossa sociedade”.

O PT de Embu manifestou “luto pelo companheiro”. “Arquiteto e urbanista, Gera sempre foi acima de tudo um humanista. Entendia tudo e mais um pouco sobre moradia popular e tinha uma meta de vida que era ver todo cidadão de nossa cidade com uma moradia digna”, afirmou, em nota. Gera não era filiado ao PT, era além. “Era militante do PT. Era companheiro de lutas”, disse o presidente do partido em Embu, Gabino Silva, à reportagem.

Guilherme Boulos, do MTST, definiu Gera como “um lutador pela moradia: arquiteto, ex-presidente da Cohab e parceiro de primeira hora dos movimentos sociais”. “Um homem de coração gigante. Perda irreparável”, postou. “Grande amigo, excepcional profissional, fez sua passagem hoje. O mundo hoje fica mais pobre de pessoas boas e idôneas”, homenageou o companheiro de secretariado em Embu Milton Oliveira. Gera deixa mulher e dois filhos.

> Colaborou a Redação do VERBO ONLINE

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