ALCEU LIMA
Especial para o VERBO ONLINE, em Embu das Artes
Apenas uma semana depois de o menino Luan, de 11 anos, ser vítima de diagnóstico errado da UPA de Embu das Artes e vir a óbito por apendicite, um idoso morreu na madrugada desta sexta-feira (27) após não ser socorrido pela unidade de pronto-atendimento no Jardim Santo Eduardo. Ele passou mal e caiu na frente da UPA, mas funcionários disseram que só seria atendido após ser removido por uma ambulância para dentro da unidade.
O homem foi à UPA pela manhã com dor no estômago, foi medicado e liberado, mas não teria tido diagnóstico correto, voltou a sentir o problema e retornou à noite. Ele ficou em observação, mas teria ouvido do médico que tinha apenas gases e não foi encaminhado para exame. Ele recebeu alta, por volta de 0h30, mas passou mal ao sair e foi ao chão – e ficou se debatendo. Com a recusa e demora do socorro, ele morreu sem qualquer atendimento.
Um vídeo mostra o desespero de familiares de outras pessoas atendidas na UPA diante da omissão de socorro, com o idoso caído no meio-fio. “Chama a GCM [Guarda Municipal]”, grita uma moradora. Ela pega no braço do homem e tenta fazer a vítima reagir. “Moço, moço?”, fala. Em vão, ele não responde. Ele teria sido levado pelos acompanhantes de outros pacientes em uma cadeira de rodas para o interior da unidade, mas já estava sem vida.
“Mais uma vez, a UPA matou alguém, mais uma vez omissão de socorro aqui, o senhor caiu na rua, os médicos se ‘recusou’ a pegar o senhor e levar para dentro. A gente que teve que pegar e levar para dentro. O homem acabou de entrar em óbito no lixo desta UPA. Estava internado, liberaram um senhor de idade, e ele morreu. Ele chegou a chamar o Uber, mas não deu tempo, por causa de omissão de socorro, levaram mais uma vida”, relata a mulher.
Ainda no vídeo, a moradora diz que “há dois anos foi minha irmã, semana passada foi um menino e agora este senhor”, ao se referir às vítimas de negligência da UPA, inclusive Luan. Em uma rede social, um mulher diz que viu “tudo do começo ao final” e foi uma das testemunhas que fizeram “escândalo” diante do descaso. “Quando o senhor caiu na frente da UPA, ele bateu a cabeça no chão, eu gritei, pedindo socorro, pedindo uma maca”, disse.
“Simplesmente de dentro do pronto-socorro falaram que não podiam socorrer, que tinha que chamar o Samu. Aí eu me fiz a pergunta ‘como eu vou chamar o Samu se eu eu estou na frente de um pronto-socorro?’. Ali mesmo o senhor veio a óbito, nos meus braços e nos braços de outras pessoas que ajudaram a carregar ele”, relatou. “Quase fui presa, porque xinguei mesmo, briguei, fiz escândalo para eles socorrerem […] Isso foi negligência”, denunciou.
Os pronto-socorros de Embu são geridos pela AMG, mas a gestão Ney Santos (Republicanos) tem de fiscalizar o serviço. A ex-vereadora Rosângela Santos (PT) foi à unidade e condenou a omissão de socorro. “Estou saindo agora da UPA, mais de 3 horas da manhã, acompanhando mais uma situaçao de descaso na saúde de Embu. Ele morreu em frente da UPA. Mais uma morte por negligência dessa gestão. Triste o que a população vem sofrendo”, disse.
OUTRO LADO
O VERBO questionou o prefeito sobre a morte do homem após a UPA de Embu das Artes não socorrer a vítima na porta da unidade. “Uma semana depois do menino Luan, de 11 anos, […] um idoso morreu na frente da UPA Santo Eduardo na madrugada de sexta-feira após omissão de socorro. Até quando os moradores de Embu vão morrer por negligência na UPA no governo do senhor e as famílias vão sofrer enlutadas?”, indagou. Ney ficou em silêncio.
VEJA VÍDEO EM QUE IDOSO FICA CAÍDO NO CHÃO SEM SOCORRO; ELE MORREU; NEY FICA EM SILÊNCIO






