ADILSON OLIVEIRA
Especial para o VERBO ONLINE, em Taboão da Serra
O prefeito Aprígio (Podemos) interveio em loteamento no Parque Laguna e mandou cavar buracos em ruas de terra para impossibilitar a chegada de materiais e a construção de novas casas e também impedir a locomoção das pessoas que vivem na área, como sair para trabalhar e receber atendimento médico, acusam os moradores. Nesta segunda-feira (12), por volta das 6h, famílias devem fazer um protesto contra a “arbitrariedade” da prefeitura.
Com escolta de viaturas da Guarda Civil Municipal e uso de uma retroescavadeira, funcionários da prefeitura estiveram no loteamento na sexta-feira (2) para executar ações que prejudicaram as famílias, apontam moradores que procuraram o VERBO. Um morador enviou à reportagem um vídeo com várias crateras abertas. “Mais um dia de trabalho, descendo a pé, porque o nosso prefeito, ‘bonzinho’, tirou o nosso direito de ir e vir”, reclama.
O rapaz ironizou o ato do prefeito e mostrou que ruas no loteamento têm nome. “Ele quer ajudar a população de Taboão da Serra. Quer ajudar fazendo isso [mostra buraco aberto], atrasando a vida de um trabalhador. Aqui tem nome de rua, tem CEP”, diz, ao dar “close” em placa escrita “Gaivotas”. “O bairro estava sendo legalizado. Aos poucos, mas estava. […] Aqui mora uma senhora [mira a casa]. Se o Samu precisar subir aqui, não sobe”, protesta.
“Olha o que o nosso prefeito Aprígio está fazendo com a gente. Eu moro na última casa em cima [na rua], tenho uma criança, como eu subo? O bairro está sendo legalizado, tem até CEP já. E ele veio aqui, esburacou todas as ruas para ninguém passar com material, com um carro, com nada”, disse o morador à reportagem. “Eu tenho um terreno há seis anos e moro há quatro, mas tem gente que mora aqui há oito anos ou mais”, completou.
Uma mulher também contatou este portal para relatar a investida contra as famílias. “Sou moradora do Parque Laguna e o senhor prefeito está fazendo uma pilantragem conosco. Eles [funcionários da prefeitura] chegaram com várias viaturas e fizeram todos esses buracos, falando que o prefeito tinha autorizado. E falaram que não podia entrar mais carro lá, nem ambulância. Nem material de construção. Não querem mais deixar construir”, contou.
As famílias afirmam que adquiriram os terrenos, e não invadiram. “Eles falam que foi invadido. Ali não foi invadido, existe há muitos anos. Cada um que está ali dentro, como eu e outros moradores, comprou. E temos como provar. O prefeito está alegando que foi invasão. Isso é uma área particular”, declarou a moradora, que vive no local há três anos. “Por favor, nos ajude a divulgar essa pouca vergonha que o senhor prefeito fez”, disse à reportagem.
Uma fonte também denunciou o ato “arbitrário” de Aprígio. “O prefeito fechou as ruas com mais de 70 casas construídas, com crianças, idosos. Se passam mal, morrem. Se o pessoal não abre a lateral, tinha morrido uma mulher grávida”, disse, ao mostrar vídeo de ambulância em via fechada com tubos de concreto. “Ele fechou sem ordem judicial. E não deixam ninguém filmar, porque é toda ilegal”, falou, ao flagrar Aprígio no local, na quinta (8).
Há dois anos, em julho de 2019, em entrevista, Aprígio, então deputado estadual, indicou que iria intervir na área, se eleito prefeito. Ao atacar o então prefeito Fernando Fernandes (PSDB), ele classificou o loteamento de “crime”, conforme noticiou o “Taboão em Foco”. “[A prefeitura] Não poderia deixar fazer. É um loteamento vendido por 30 ou R$ 40 mil o lote, em uma pirambeira. É área de risco e as pessoas vão morrer lá. E quem é o culpado?”, disse.
Em depoimento ao líder comunitário Thiago Walter, um idoso indagou o que Aprígio vai falar para a família ao “tirar a moradia do povo todo” da área. “Esse cara vai dormir tranquilo? Não dorme, não”, disse. Um rapaz questionou o interesse de Aprígio – presidente (licenciado) de cooperativa – “na área, que é particular”, em vez de terrenos públicos invadidos. “Ele está destruindo tudo aqui, querendo construir prédios”, disse o morador da rua Gaivotas.
MORADORES RELATAM TRANSTORNO COM BLOQUEIO COM BURACOS E CONCRETO PELA GESTÃO APRÍGIO





