Taboão registra mais 9 mortes por covid e fica perto de 600 vítimas; 107 óbitos são notificados em abril

Especial para o VERBO ONLINE

UPA Akira Tada, onde morreram 74 pessoas por covid-19 desde 5 de março; Taboão registra 593 mortes, 237 apenas neste ano (40% do total) | Alceu Lima/Verbo

RÔMULO FERREIRA
Reportagem do VERBO ONLINE, em Taboão da Serra

Em “pesadelo” sem fim para a população de Taboão da Serra, sob o governo Aprígio (Podemos), a Secretaria Municipal de Saúde confirmou nesta segunda-feira (26) mais nove mortes por covid-19, o segundo registro mais alto em 24 horas desde o início da pandemia – que já tinha ocorrido no dia 16. Taboão passa a somar 593 vítimas. No mês já mais letal, Taboão notifica em abril 107 óbitos, 29% a mais do que em março, antes o mais mortal.

O drama da pandemia em Taboão se deve principalmente ao colapso na UPA, com superlotação e mortes praticamente diárias na unidade. De 5 de março até esta segunda, em 53 dias, 74 pessoas morreram na UPA sem atendimento de UTI (média de 1,40), quase três mortes a cada dois. O governo Aprígio diz que são 51 óbitos, por ter incluído as vítimas na fila por leito intensivo. Mas os pacientes poderiam ter resistido com UTI à disposição.

Taboão é o primeira cidade no Estado de São Paulo a registrar morte de pacientes à espera de UTI, naquele 5 de março, quando quatro internados que estavam com pedido de transferência à central estadual de vagas (Cross) morreram. Mas o dia mais doloroso ainda viria. No último dia 12, seis pacientes agonizaram até a morte, com os familiares implorando por um leito de UTI, em vão. Dois dias depois, a gestão Aprígio disse que “zerou a fila”.

As nove últimas vítimas registradas entre moradores de Taboão (sexo, idade, comorbidades, local de óbito) são:
– 585ª – homem, 31 anos, hipertensão – Hospital M’Boi Mirim (óbito em 19/4);
– 586ª – homem, 63 anos, hipertensão, diabetes e doença cardiovascular crônica – Hospital das Clínicas (óbito em 15/4);
– 587ª – mulher, 61 anos, hipertensão e diabetes – Hospital das Clínicas (óbito em 15/4);
– 588ª – homem, 54 anos, sem comorbidades – Hospital das Clínicas (óbito em 16/4);
– 589ª – mulher, 37 anos, sem comorbidades – Hospital das Clínicas (óbito em 17/4);
– 590ª – homem, 68 anos, sem comorbidades – Hospital Regional de Cotia (óbito em 17/4);
– 591ª – mulher, 73 anos, doença cardiovascular crônica – Hospital Regional Sul (óbito em 19/4);
– 592ª – homem, 51 anos, sem comorbidades – Hospital e Maternidade Vidas (óbito em 14/4);
– 593ª – homem, 61 anos, diabetes e cardiopatia – Hospital Next Butantã (óbito em 15/4).

De 592 vítimas (a 340ª não teve perfil relatado), Taboão registra a morte por covid de 332 homens e 260 mulheres – 60 a 69 anos (180), 70 a 79 (153), 80 ou mais (85), 50 a 59 (88), 40 a 49 (50), 30 a 39 (21), 20 a 29 (sete), 0 a 9 (seis) e 10 a 19 (duas). O município ultrapassou 200 óbitos por 100 mil habitantes (201,93), a mais alta taxa de mortalidade da região (oito cidades). Das 593 mortes, 237 foram registradas neste ano (40% do total). Os casos são 13.642.

Taboão registra 25,57 casos por dia dos últimos sete dias, 22% a menos do que a média de 14 dias atrás, de 32,57. E 5,42 mortes por dia (38 no total), 46% a mais em relação à média há duas semanas, de 3,71 (26). Os casos estão em queda. Os óbitos seguem em alta, com mais de cinco diários. Nesta segunda, a UPA estava com 34 pacientes internados, 30 em leitos de enfermaria e quatro na emergência, dois intubados. Um homem de 56 anos morreu.

comentários

>