Câmara cria CPI contra SPDM após secretário de Aprígio orientar, diz interlocutor

Especial para o VERBO ONLINE

Câmara de Taboão; com CPI, vereadores falam em investigar gastos com hospital de campanha e mortes na UPA, mas miram SPDM |Ricardo Vaz-CMTS/Divulgação

ADILSON OLIVEIRA
Especial para o VERBO ONLINE, em Taboão da Serra

Uma pessoa próxima ao primeiro escalão do governo Aprígio (Podemos) relatou que um dos principais secretários do prefeito, Mario de Freitas, da pasta de Governo, em diálogo com membros da Câmara dos Vereadores, fez uma investida contra a SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina), sugerindo investigação contra a organização social de saúde com o interesse na troca da OS que gerencia os pronto-socorros municipais.

Na terça-feira (20), os vereadores criaram uma CEI (Comissão Especial de Inquérito – na prática, uma CPI) para “investigar possíveis fraudes e irregularidades na utilização das verbas direcionadas ao combate à covid-19”, mas a investigação visa a SPDM, vista pelo governo como ligada à gestão do ex-prefeito Fernando Fernandes (PSDB). O pedido foi assinado pelos 13 vereadores, inclusive os oito que se (re)elegeram pelo grupo político de Fernando.

Quando Fernando reassumiu a prefeitura de Taboão, em 2013, a SPDM substituiu a Iacta Saúde, denunciada por irregularidades e alvo até de uma CPI na Câmara. A OS investigada foi contratada para gerir os pronto-socorros do município durante o governo Evilásio Farias (PSB), cujos principais integrantes formam hoje a gestão Aprígio, como o secretário da Saúde, José Alberto Tarifa, e o próprio Freitas, que comandava a Secretaria de Comunicação.

Segundo a pessoa com interlocução com o secretariado de Aprígio, Freitas disse a vereadores que “a SPDM está atrapalhando a gestão do governo na saúde”, em sugestão de investigação para resultar em substituição da OS. No dia 23 de março, a Câmara tinha criado a CEI, mas para investigar a SPDM enquanto responsável pela central de regulação de vagas de UTI (Cross), competência que a Câmara não tem, por ser um serviço do governo estadual.

Depois de ser alvo de críticas por apresentar um requerimento “atrapalhado”, sem finalidade clara, o vereador André Egydio (Podemos) reformulou o pedido para investigar a SPDM como gestora das principais unidades de saúde municipais, o que teria ocorrido por “orientação” de Freitas. “Não estou investigando a Cross, estou investigando 11 mortes na UPA Dr. Akira Tada”, disse Egydio ao “Taboão em Foco”, ao tentar justificar a CEI.

“Queremos verificar por que destas mortes e também o atendimento da SPDM, se está a contento daquilo que ela foi proposto (contratada)”, declarou Egydio na sessão no último dia 13, ao reconhecer que o primeiro pedido tinha “erros primários” – o vereador é desafeto de Fernando. Apesar da CEI, o governo Aprígio diz que as mortes em série na UPA decorreram da não oferta de vagas de UTI pelo governo do Estado, nunca responsabilizou a SPDM.

“Há indícios também que possivelmente, como forma de destinar os recursos recebidos para o enfrentamento da pandemia provocada pelo Sars Cov2 para outros fins, que não seja a destinação legal para tal verba e também considerando que até o momento não houve prestação de contas por parte da SPDM”, diz o requerimento. Os vereadores falam em investigar os custos e gastos do hospital de campanha, que foi gerenciado pela SPDM.

O próximo passo para a instalação da CEI é a indicação dos cinco membros, o que pode ocorrer nesta terça-feira. “Temos 120 dias [para investigar] e podemos prorrogar por mais 120. Queremos saber como esses recursos foram investidos durante a pandemia, queremos uma posição da SPDM, que precisa mostrar a prestação de contas do que foi gasto com o hospital de campanha. Enfim, são muitas questões que esta CEI vai esclarecer”, disse Egydio.

OUTRO LADO
O VERBO questionou a Secretaria de Comunicação sobre Freitas ter falado que a SPDM atrapalha a gestão da saúde do governo, em sugestão para investigar a OS, segundo a interlocutora. Também indagou Egydio sobre “orientação” do secretário para pedir a CEI. Não houve resposta. Nos cinco meses de funcionamento, o hospital de campanha teve três mortes. A UPA teve 44 óbitos em 2020. Desde 5 de março, na atual gestão, já conta 74 vítimas.

comentários

>