ADILSON OLIVEIRA
Especial para o VERBO ONLINE, em Embu das Artes
A presidente nacional da UJB (União da Juventude Brasileira), Iris Nogueira, morreu nesta sexta-feira (2), aos 28 anos, de covid-19. Ela estava internada no Hospital Municipal de Brasilândia (zona norte de São Paulo). Iris morava em Embu das Artes, na periferia, no Jardim Nossa Senhora de Fátima, e tinha militância partidária no PT, mas em 2018 integrou a gestão do governador Márcio França (PSB) – foi titular da Coordenadoria Estadual da Juventude.
Segundo apurou a reportagem, Iris recebia oxigênio, mas teve agravamento do quadro em poucos dias e foi intubada. Antes de ser colocada de bruços, manobra para melhorar a atividade dos pulmões, ela sofreu uma parada cardiorrespiratória e não resistiu. Lideranças juvenis de Embu e São Paulo expressaram consternação nas redes sociais pela morte de Íris, ativista pelos direitos da juventude, das mulheres, negros e da comunidade LGBT+.
A direção do PT estadual emitiu nota em que lamentou a morte de Iris e destacou a atuação em favor das mulheres. “Iris era uma jovem com apenas 28 anos que se dedicou à luta por uma sociedade mais justa e igualitária. Ex-coordenadora de Juventude do Estado de São Paulo, era também conselheira municipal de Políticas para as Mulheres da capital. Nunca deixou de lutar, mesmo por sua vida, e deixará muitas saudades”, ressaltou.
Iris era também membro do Condepe (Conselho Estadual de Direitos da Pessoa Humana) e integtrava o mandato da deputada estadual Márcia Lia (PT). “Uma jovem mulher com muitos sonhos e projetos, sempre presente nos debates e formulações para a igualdade e respeito com todos. Iris era sinônimo de alegria, de beleza, de amizade, era sinônimo de luta contra o preconceito, contra o ódio e contra toda forma de violência”, disse Márcia, em nota.
A direção da UJB expressou dor em “momento tão difícil”. “Iris era uma de nossas colegas de mais longa data, tendo seu nome escrito em conjunto com a história da própria UJB. Já esteve à frente da Coordenadoria da Juventude do Estado de São Paulo, sendo a primeira mulher negra a ocupar tal cadeira. Combatente, Iris sempre lutou pelos direitos da juventude, com pautas claras visando o melhor aos jovens pretos e pobres da periferia”, disse.
Dirigente da UJB em Embu, John Lennon destacou a força de Iris, que tinha como “inspiração” a vereadora do Rio assassinada Marielle Franco. “A Iris, nossa companheira, foi a primeira mulher negra, jovem, a ser coordenadora de Juventude do Estado de São Paulo. Grande guerreira, nossa presidente nacional, que sempre esteve nas lutas. Uma questão emblemática para ela era o esclarecimento de quem matou Marielle, em quem via uma inspiração”, disse.
Lennon ressaltou ainda a generosidade de Iris. “Ela esteve muito engajada nas candidaturas de representatividade e discussões em relação à questão negra, LGBT, mulher, feminista, no Estado. Todos falam que era muito acolhedora, presente. Era um exemplo de liderança e humanidade. Por ser mulher, preta, jovem, gorda, enfrentou vários preconceitos e tentativas de deslegitimar, mas provou que podia estar em lugares de poder”, afirmou.
A ex-vereadora Rosângela Santos (PT) frisou a garra de Iris pela causa da juventude. “Sempre esteve nas lutas em defesa de projetos para os jovens, como o Centro de Referência da Juventude em Embu das Artes. Mulher, jovem, negra, representava uma renovação na política”, disse. A família tenta aplacar o sofrimento. “Estamos tentando seguir um dos últimos pedidos dela, não perder a força, mas é muito difícil”, disse ao VERBO a irmã Mirian Araújo.





