ADILSON OLIVEIRA
Especial para o VERBO ONLINE, em Taboão da Serra
Taboão da Serra registrou neste domingo (21) mais quatro mortes por covid-19 e contabiliza 457 vítimas no total. No sábado (20), o governo Aprígio (Podemos) mais uma vez não divulgou boletim, sob alegação de “problema de logística” – não explicou o que seria isso. Em menos de três meses, o município somou acima de cem mortes a mais (101), desde 1º de janeiro, sob a nova gestão – em 31 de dezembro, Taboão notificava 356 óbitos pela doença.
A saúde de Taboão está em colapso desde o dia 3 de março, quando a UPA tinha 43 pacientes internados, três a mais do que a capacidade. Apenas no dia seguinte (4), Aprígio anunciou, às pressas, a criação de novos leitos para covid-19, até em posto de saúde, na UBS Clementino, que desativou para ser pronto-atendimento – com apenas seis leitos “de observação”. No dia seguinte até o dia 8, a UPA registrou a tragédia de 11 mortos à espera de UTI.

A triste marca de mais de cem mortes a mais em apenas exatos 80 dias é mais uma evidência da gestão desastrada do governo Aprígio em relação à covid-19. Taboão atingiu os primeiros cem óbitos pelo coronavírus em 11 de junho do ano passado, com 83 dias, em período maior, mas próximo, porém, quando a doença era menos conhecida e não era difundido o uso de máscara, que à época nem era obrigatório – a população estava mais desprotegida.
Preocupado em apontar problemas de conservação em prédios municipais e paralisar obras herdadas sob alegação de “erros de projeto ou construção” para criticar o prefeito anterior, Fernando Fernandes (PSDB), quem considera inimigo político, Aprígio só fez uma fala de orientação à população contra a covid-19 com quase dois meses como prefeito, em 23 de fevereiro, mas rasamente, mesmo com o alerta do recrudescimento da doença.
Com Aprígio alheio a uma doença letal, praticamente todas as unidades básicas de saúde – muitas sem reposição de funcionários exonerados e acéfalas, sem diretor – deixaram de tomar os cuidados básicos de prevenção observados no ano passado e tinham aglomeração de pacientes e desorganização do ambiente, com cadeiras sem indicação para distanciamento social, em risco de contaminação aos usuários e também médicos e funcionários.
Ao anunciar a criação de novos leitos, no dia 4, com a UPA já em colapso, Aprígio foi questionado pelo VERBO o que estava fazendo para evitar o avanço da covid-19 se as UBSs nem promoviam o distanciamento social. “Não diminuímos nada do que estávamos fazendo antes, pelo contrário, melhoramos o que podia melhorar. Sempre a gente trabalhou com o afastamento, o distanciamento das pessoas, sempre respeitando a lei estadual”, disse.
“Se você viu em alguns departamentos o assento ilegal, eu o convido a mostrar onde que vamos punir o funcionário, o secretário, porque a orientação não é essa. […] Eu estive esta semana no Atende para justamente ver isso, saí olhando cadeira por cadeira e não estava assim. Mas, se você conhecer algum, vamos agora lá, você está me ajudando a corrigir os erros que as pessoas estão fazendo”, continuou Aprígio, ao admitir falha na vistoria.
Após a coletiva, apesar do discurso, Aprígio nem ninguém do governo procurou a reportagem para saber os equipamentos que negligenciavam as ações de prevenção à covid-19. Curiosamente, uma semana antes, no dia 23 de fevereiro, a Secretaria de Gestão de Pessoas causou aglomeração ao agendar servidores para o censo. Uma semana depois, no dia 9, a Secretaria de Esportes abriu o ginásio Zé do Feijão para jogo com presença de público.
BOLETIM
As quatro novas vítimas da covid-19 (sexo, idade, comorbidade, local/hospital de óbito) entre munícipes são:
454ª – mulher, 57 anos, cardiopatia e obesidade – Hospital São Caetano do Sul
455ª – mulher, 66 anos, imunodepressão e câncer de ovário – Instituto do Câncer
456ª – mulher, 72 anos, doenças hepática e neurológica – Hospital Municipal de Osasco
457ª – mulher, 69 anos, hipertensão sistêmica – UPA Akira Tada (óbito em 18 de março)
De 456 vítimas da covid (a 340ª não teve perfil divulgado), Taboão registra a morte de 258 homens e 198 mulheres – 60 a 69 anos (139 óbitos), 70 a 79 (120), 80 ou mais (71), 50 a 59 (61), 40 a 49 (35), 30 a 39 (15), 20 a 29 (sete), 0 a 9 (seis) e 10 a 19 (duas). A cidade notifica 32,71 casos por dia dos últimos sete dias, 89% a mais do que 14 dias atrás. E 2,42 mortes por dia (17 no total), 112% a mais do que há duas semanas (oito). Os casos e óbitos têm elevada alta.
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