Com saúde em colapso, Aprígio puxa ‘cordinha de privada’; até apoiador critica

Especial para o VERBO ONLINE

Com 11 mortes em fim de semana e óbitos diários na UPA, Aprígio vê caixa de privada de EMI com escolas sem data para reabrir e é alvo de críticas | Divulgação

ADILSON OLIVEIRA
Especial para o VERBO ONLINE, em Taboão da Serra

Com a saúde de Taboão da Serra em colapso após a morte de 11 pacientes na UPA com covid-19 por falta de leito de UTI em apenas quatro dias no fim de semana retrasado, o prefeito Aprígio (Podemos) foi “puxar cordinha de privada” ao “visitar” escola e se tornou alvo de críticas até de apoiadores. Sob o governo Aprígio, em pouco mais de 70 dias de gestão, Taboão já registrou 84 mortes pelo coronavírus e continua com alta descontrolada da pandemia.

Na quinta-feira (11), quando profissionais da linha de frente contra a covid viviam sufoco e a população estava em um misto de choque e indignação, inclusive pelo governo esconder a gravidade da pandemia – ao não divulgar inclusive boletim diário -, Aprígio postou em rede social foto em que verifica uma mangueira de caixa de sanitário, “ocupado” em apontar defeitos da gestão anterior mesmo com a cidade assolada por uma doença letal a galope.

Aprígio disse ter ido visitar a EMI Maria Cebolinha, no Jardim Record, com a secretária de Educação, Dirce Takano. “Verifiquei a situação do prédio, que possui vários problemas, como banheiros em situação precária, piso irregular, vazamentos, rachaduras e fissuras estruturais. Há quase um ano fechadas, muitas escolas do município não receberam nenhuma manutenção nesse período, ficaram completamente abandonadas”, postou.

Na própria postagem, Aprígio recebeu avalanche de críticas. “No momento queremos é hospitais”, disse uma moradora, com seis “curtidas”. “Prefeito, para que se preocupar com prédio de escola [?], nem aula vai ter. Pelo amor de Deus, equipe a UPA, abra hospital de campanha, temos famílias morrendo. Acorda, senhor Aprígio”, falou outra munícipe. “Tá morrendo gente adoidado no Taboão e o prefeito tá só nas visitas”, disse outra moradora.

O prefeito recebeu mais “puxões de orelha” para “focar na saúde”. “Aprígio, acorda, você precisa se preocupar com as vidas que estão morrendo de covid-19. Sei que é importante visitar as escolas, mas esse não é o momento. Deixa essa secretária Dirce Nakano, que não faz nada, ir às escolas, porque até o momento só ‘enche linguiça”, disse outra moradora. “ACORDAAAA! Morrendo pessoas no Akira”, falou um rapaz, ao apontar o governo inerte.

Aprígio ainda estaria em “em campanha” e já deveria ter feito os reparos. “Para de procurar defeito na outra gestão, olha aí tanta gente morrendo com essa covid, se preocupa em fazer hospital da covid. […] Pensa mais nas pessoas, para de picuinha com a outra gestão, manda reformar logo, não precisa ficar mostrando”, disse mais uma moradora. “A campanha já acabou, agora é trabalhar, cumprir o que o senhor prometeu!”, advertiu outra munícipe.

Um apoiador do governo “ensinou” Aprígio a “focar” a pandemia e não visitar prédio escolar agora, mas disse para “acordar”. “E não propaganda da cordinha da privada da escola. Deixa a poeira baixar, depois você vai nas escolas e posta foto no Instagram e no Facebook. Depois. D-E-P-O-I-S! Entendeu? Será que a assessoria de imprensa dessa PMTS entende a gravidade do problema do país? Acorda, gente! Acabou a eleição!”, escreveu Hugo Abud.

O VERBO procurou Abud, mas não conseguiu contato. O jornalista David da Silva resumiu o episódio. “Com a UPA entupida de covid, Aprígio foi puxar cordinha de descarga quebrada em escolinha fechada sem prazo para reabrir. Bastava colocar uma nova, né? O ‘hômi’ não deu a cara nem uma vez desde 3 de março na UPA onde morreram 12 contaminados. Nem gravou vídeo específico de condolências às famílias das vítimas”, publicou, na sexta-feira (12).

LEIA POSTAGEM DE APOIADOR SOBRE APRÍGIO COM ‘PROPAGANDA DA CORDINHA DA PRIVADA DA ESCOLA’

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