Feira de Embu é ‘Patrimônio Cultural Imaterial’; artistas se veem homenageados

Especial para o VERBO ONLINE

Feira de Artes e Artesanato de Embu no fim dos anos 1960 e hoje; 500 artistas e artesãos expõem obras e produtos nos fins de semana e feriados | Divulgação

ADILSON OLIVEIRA
Especial para o VERBO ONLINE, em Embu das Artes

A Feira de Artes e Artesanato de Embu das Artes foi declarada “Patrimônio Cultural Imaterial do Estado de São Paulo”, após a aprovação no dia 2 de fevereiro pela Assembleia Legislativa do projeto de lei 918/2016. Nos fins de semana, a feira recebe até 40 mil visitantes, de várias regiões de São Paulo, do Brasil e do exterior, atraídos por pinturas, esculturas, objetos de decoração, porcelanas, bijuterias, bordados, roupas, entre outros artigos.

Cerca de 500 artistas e artesãos expõem na feira em ruas na praça central que formam quatro quarteirões entrelaçados por vielas estilosas que abrigam construções rústicas a propiciar genuíno e aprazível ambiente do interior. A vocação de Embu vicejou a partir da edificação da Igreja Nossa Senhora do Rosário, hoje Museu de Arte Sacra, erguida por padres jesuítas e índios no período colonial (1690), que também produziram as próprias obras.

Já no século 20, a partir dos anos 1930, artistas como o pintor Cássio M’Boy e o escultor Tadakiyo Sakai ajudaram a consolidar a produção de obras de arte no território, ao lado do também escultor Mestre Assis e do poeta Solano Trindade, em incorporação do tempero da cultura brasileira com repertório de ritmos afro. A partir do 1º Salão de Artes Plásticas de Embu, em 1964, a arte produzida em Embu ganhou reconhecimento nacional e internacional.

Artistas contemporâneos e populares e hippies chegaram nos anos 60 e ampliaram a atividade artística na recém-emancipada cidade. Em tempos de transformação social, mudança de comportamento e efervescência política e cultural, via movimento estudantil, em 31 de janeiro de 1969 nasceu a Feira de Artes e Artesanato de Embu, articulada por Mestre Assis, que estimulou a vinda dos expositores da feira da praça da República, em São Paulo.

A feira “testemunhou” shows memoráveis como de Rita Lee, Novos Baianos, Jorge Mautner e Tom Zé e visitas ilustres como os atores Nathália Thimberg e Gianfrancesco Guarnieri, o grupo The Mamas & The Papas e Mick Jagger, dos Rolling Stones. Outra figura célebre na feira foi José Agrippino de Paula, autor de “PanAmérica” (1967), obra inspiradora do movimento da Tropicália. Em 1980 ele passou a morar em Embu, onde morreu em 2007.

A feira estrelou verso de música. “Em ‘Sampa’, Caetano Veloso fala de Embu, sem citar, quando diz ‘Pan-Américas de Áfricas utópicas’ e ‘novo quilombo de Zumbi’. ‘Pan-América’ é o livro de Agrippino, ‘Utópicas’ é a utopia do sonho hippie, e ‘novo quilombo de Zumbi’ é um certo gueto de artistas negros próximo a São Paulo, esse movimento de Assis, Solano que iniciou a arte de Embu”, diz o artista plástico Paulo Dud, um dos mais antigos membros da feira.

A Associação dos Expositores da Feira de Embu das Artes celebra o título concedido à atividade que orgulha. “É um reconhecimento à história iniciada pelos precursores e grande incentivo aos artistas que até hoje mantêm essa cultura cada dia mais importante para o turismo da nossa cidade. Além de estarmos em um patamar diferenciado, é um degrau importante para todos”, disse Ana Rodrigues, expositora e porta-voz da Aefea, à reportagem.

O projeto foi apresentado pela deputada estadual Leci Brandão (PC do B), em coautoria com o deputado Maurici (PT). “Imagine uma cidade que se tornou estância turística por causa da feira [em 1979], ficou 48 anos para fazer parte do roteiro turístico do Estado e aos 52 anos se torna ‘Patrimônio Cultural Imaterial’. Os artistas, artesãos, montadores, todos os envolvidos se sentem grandiosos também, se sentem o ‘corpo inteiro’ da feira”, afirmou Ana.

SERVIÇO
Feira de Artes e Artesanato de Embu das Artes
Nos fins de semana e feriados, no praça central/Centro Histórico de Embu das Artes, das 9h às 18h

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