GCM de Taboão tem 1ª comandante; Eliana se cala sobre assédio a guarda mulher

Especial para o VERBO ONLINE

Eliana Ribeiro, 52, 1ª comandante da Guarda de Taboão; ela disse dar mais voz às colegas, mas preferiu o silêncio sobre assédio a GCM feminina | Ian Freitas/PMTS

ADILSON OLIVEIRA
Especial para o VERBO ONLINE, em Taboão da Serra

A Guarda Civil Municipal de Taboão da Serra tem uma mulher como comandante, pela primeira vez na história da GCM – que vai completar 30 anos. Designada pelo prefeito Aprígio (Podemos), Eliana Gonçalves Ribeiro exalta a presença feminina no mais alto posto da Guarda e promete dar “mais voz” às colegas de farda. Ela não quis falar, porém, sobre a GCM que sofreu assédio moral, abordada pelo secretário (indicado) de Segurança, Rodrigo Falcão.

Conforme a prefeitura, a nova comandante diz se sentir honrada com o cargo e confiante na missão – ela ingressou na GCM em 1995. “Eu estou há 25 anos na corporação e para mim é uma honra muito grande ter sido indicada por este governo, que sentiu essa onda de empoderamento das mulheres, que hoje assumem cargos de destaque e resolveu me dar esta oportunidade. Para mim foi uma surpresa, mas uma grande alegria”, afirma Eliana, 52.

Ingressa quatro anos depois de a Guarda ser criada, Eliana é também a primeira mulher a entrar na corporação de Taboão. Hoje, 30 dos 257 agentes são mulheres, um número (12%) ainda inferior se comparado ao dos homens, mas que vem crescendo, segundo o governo municipal. “Há 25 anos os homens estão no comando e esta nova gestão veio com gana de mudança e então nós recebemos esta novidade e me sinto muito honrada”, ressalta.

Ela diz que naquela época uma mulher na GCM não era comum. “Lá atrás eles não esperavam uma mulher na corporação, então eu fui treinada para ser rádio operadora, recebia ligações e as destinava às viaturas. Trabalhei um tempo nesta função e depois fui para a rua. Em seguida fui para o administrativo. Voltei para o patrulhamento, comissionada na delegacia, no 1º DP, onde atuei no cartório central e no setor de investigação”, lembra Eliana.

Eliana conta que já sofreu muito preconceito por ser mulher. “Antes era muito mais forte, a gente não ia para a rua, lugar da mulher era atendendo telefone, mas hoje o nosso lugar é onde queremos estar. Agora as jovens vão olhar e falar ‘Poxa: é uma profissão legal e eu também posso estar lá’”, diz. Com intercâmbios com as políciais nacionais de Peru, Chile e Filipinas, ela fala em ter um olhar mais sensível e aprofundado para as questões humanas.

“Há tempos as GCMs mulheres sentem a necessidade de uma administração mais humanizada, participativa”, aponta a comandante, ao prometer fazer uma gestão diferenciada, dando mais voz às as companheiras de corporação. Preocupada com a saúde mental dos guardas, Eliana quer ampliar o programa de atendimento psicológico aos GCMs. Destaca que outra ação é que a patrulha contra violência doméstica passa a atuar 24 horas.

O VERBO questionou a comandante sobre um caso concreto. Na madrugada de 14 de janeiro, na base da GCM no Intercap, Falcão disse ao inspetor Sandro Leo e a uma GCM feminina: “Passa o pano, está fudendo aqui dentro, batendo punheta na sua cara”. A GCM reagiu: “Está fazendo o quê, senhor?”. Ela disse para o secretário a levar a delegacia se tinha cometido crime. Ele quis tirar a arma da GCM. “Tira a mão! Não encosta em mim!”, repeliu ela.

Este portal pediu uma posição de Eliana até por exaltar o papel da mulher. “Desculpe, o senhor pode entrar em contato direto com o departamento de Comunicação”, disse. A reportagem perguntou se ela ia responder, já que a secretaria não se pronunciou. “Não, é a assessoria de imprensa”, disse. Diante da explicação de que a pergunta era direcionada a ela como mulher, Eliana preferiu o silêncio. O contato foi no dia 19. Aprígio abriu sindicância dia 27.

> Com informações da Secretaria de Comunicação de Taboão da Serra

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