ADILSON OLIVEIRA
Especial para o VERBO ONLINE, em Taboão da Serra
O vice-prefeito Buscarini (PSD) disse em entrevista ao tomar posse na sexta (1º) que a Secretaria de Planejamento na gestão Fernando Fernandes (PSDB) “não serviu para nada mesmo” e que será transferida para o Pirajuçara e se tornará a futura pasta da Subprefeitura. Na prática, o prefeito Aprígio (Podemos) vai dar à Administração Regional o status de secretaria para o velho aliado do vice, Betinho, ser secretário. Buscarini disse que “somos criativos”.
Em meio à polêmica de se recusarem a assinar carta do Conegro, Aprígio e Buscarini rejeitaram criar a secretaria do negro. O vice foi além e descartou a pasta do Planejamento. “O momento da prefeitura não é de criar secretaria, pelo contrário, temos que diminuir. Tem secretarias que têm emprego e não têm função. Por exemplo, [a de] Planejamento não serve para nada. Pode unificar com a Secretaria de Governo ou Administração”, disse.
Na coletiva, questionado pelo VERBO sobre ter emplacado o aliado se tinha dito que a secretaria não tinha utilidade, Buscarini foi enfático em reafirmar o que disse durante a campanha e falou sobre o plano para a pasta. “A Secretaria de Planejamento nesse período não serviu para nada mesmo! Em função da pandemia, não podemos criar determinados espaços, por lei é proibido criar novos cargos, novas despesas até o ano de 2022”, falou.
“Então para sua surpresa, a Secretaria de Planejamento vai ser transferida para o Pirajuçara, onde através dela vamos começar a atender a população. No futuro, quando puder ser feita, ela será transformada, provavelmente, na Secretaria da Subprefeitura. É simples assim. Não vamos criar nada para não usar. Também vai ser levada para lá uma extensão do Atende [posto de pagamento de tributos] para melhorar a vida da população”, afirmou.
A exemplo da própria fusão da secretaria que sugeriu, a Regional, com a pretendida filial do Atende incluída, poderia ser uma repartição sem precisar ser secretaria e ter cargos com altos salários – o de secretário, R$ 16 mil – , mas Buscarini falou em criatividade. “Para você ver como somos criativos, essa inutilidade, aquilo que não servia no governo passado vai ser uma ferramenta útil para a população da região do Pirajuçara”, ressaltou o vice.
Buscarini procurou exaltar a experiência do aliado, de novo em tom de empáfia. “E, para o seu conhecimento, quem vai para essa secretaria é um homem que administrou lá por quatro anos, foi administrador regional no meu governo [1993-1996], com a saída do Luiz Lune [para ser deputado estadual] quando era meu vice. Estou extremamente tranquilo com relação a essa questão”, falou. O nome de Betinho já tinha sido anunciado no dia 21.
Buscarini se viu em saia justa na entrevista de Aprígio em 3 de dezembro, quando o prefeito disse que a Regional seria recriada e que Buscarini ia ficar “ali”. “Vamos melhorar muito aquela região com o Buscarini ali, quase em tempo integral”, disse. O vice não escondeu a contrariedade com o “posto”. “Vou ajudá-lo [Aprígio] participando ativamente de todos os setores. A Regional terá um espaço, mas não é o Buscarini [a ficar lá]”, contestou.
Na rede social, o jornalista David da Silva, do programa “Roda de Fogo” (TV Atual), repercutiu a insatisfação do vice: “Buscarini ‘rejeita’ subprefeitura Pirajuçara à qual foi informalmente nomeado por Aprígio […] Quer protagonismo”. Buscarini demonstrou irritação. “Não queira botar fogo no parquinho”, disse. Ele partiu para o ataque à vida particular de David. “O seu maior problema será a partir de primeiro de janeiro. Certo? Livre-nomeado”, disparou.
OUTRO LADO
Este portal procurou os ocupantes mais longevos da Secretaria de Planejamento no último governo Fernando para comentar a crítica de Buscarini sobre a “inutilidade” da pasta. Olívio Nóbrega, contatado durante a noite, não respondeu até a conclusão da reportagem. Robson Neves, que assumiu em 2018 no lugar de Olívio, disse que a secretaria é uma das mais importantes de um governo, desde que disponha de “espaço, autonomia e recursos”.
Neves ocupou a pasta, mas criticou a gestão Fernando. “Ela precisa ser vista pelos demais equipamentos como o ‘longa manus’ [executor de ordens] do prefeito, que deve nomear secretário técnico que conheça, sobretudo, de direito administrativo com vistas a propor novos modelos e padrões de gerenciamento e políticas públicas dentro da legalidade. Concordo com Buscarini, a secretaria sempre teve pouca autonomia ou quase nada”, disse.
“Mas com disposição e boa vontade de quem assume é possível, mesmo neste cenário caótico, de pouca autonomia e sem recursos, como foi no governo Fernando Fernandes, desenvolver ações em parceria com a iniciativa privada para beneficiar aqueles que mais precisam, o povo”, afirmou Neves, que apoiou o prefeiturável Eduardo Nóbrega (MDB), secretário de Aprígio. Procurado, Fernando tem espaço aberto para abordar as críticas.





