‘Você sabe que o jogo político é foda né?’, diz Carlinhos do Embu ao confessar perseguição a servidor

Especial para o VERBO ONLINE

Carlinhos, que assinou demissão de servidor como membro da mesa-diretora presidida por Hugo, mas confessou perseguição política | Gabriel Binho/Verbo

RÔMULO FERREIRA
Reportagem do VERBO ONLINE, em Embu das Artes

Em conluio com o prefeito Ney Santos (Republicanos), em 2019, o então presidente da Câmara de Embu das Artes Hugo Prado (MDB) perseguiu politicamente e demitiu um servidor concursado, o jornalista Adilson Oliveira, por escrever para o VERBO. Em prova da “armação”, além de Oliveira denunciar o processo administrativo nove dias antes, um vereador que assinou a demissão de Oliveira, Carlinhos do Embu (PSC), confessou a perseguição política.

Oliveira começou a sofrer o processo (PAD) em 26 de setembro de 2019 em investida do então vereador Doda Pinheiro, que o acusou de usar o expediente para “fins de interesse do jornal” e publicar textos para “denegrir” autoridades. Na realidade, Doda se associou a Ney e Hugo contra o servidor após ter contas reprovadas noticiadas pelo VERBO, por exemplo. Antes, aprovava este portal – “o Verbo tem pauta para 4 anos [contra o governo]”, disse.

“O processo teve vícios insanáveis, sobretudo o desvio de finalidade, abuso de poder”, aponta o advogado de Oliveira, Marco Aurélio do Carmo. “Os fatos e as provas amealhadas demonstraram total improcedência da denúncia de ‘Doda’, que por ira decidiu, a qualquer custo, perseguir o acusado. O edil não agiu sozinho, somente permitiu ser usado em um plano ardiloso, arquitetado por Ney e Hugo, para prejudicar o servidor”, afirma.

“A perseguição política é notória. Aliás, constatou-se a extrema ‘competência’ e ‘celeridade’ da comissão e da mesa-diretora na análise e emissão de parecer conclusivo do PAD, de seis volumes, em menos de uma semana. Sem dúvida, agiram com muito interesse e eficiência para ‘se livrar’ do autor antes do recesso”, ironiza Carmo. O servidor teve a demissão anunciada no último dia de serviço em 2019, 19 de dezembro. Ele recorre na Justiça.

Porém, Oliveira soube da armação antes. Quatorze dias antes de ser notificado do processo, em 12 de setembro ele foi avisado da trama, por meio de vereador da própria base de Ney. Cinco dias depois, ele publicou sobre a perseguição que sofreria em jornal de grande circulação, “Gazeta de S. Paulo”, com texto disfarçado: “Presidente e mesa diretora tramam uma arapuca para exonerar jornalista concursado monitorado [ao] assessorar vereadores”. 

No primeiro dia de trabalho do Legislativo após o fim do recesso, no início de 2020, após comparecer à Câmara e ser dispensado formalmente, Oliveira foi à tarde assistir a um jogo da Copa São Paulo que acontecia no estádio de Embu. Carlinhos estava lá. Oliveira foi ao encontro do vereador, falante e sorridente com as pessoas. Questionado sobre ter assinado a demissão, o então terceiro-secretário da mesa-diretora, surpreendido, falou o seguinte:

– Servidor Oliveira – E aí, beleza?… Assinou a portaria [de demissão do servidor] lá, Carlinhos?
– Carlinhos do Embu – Oi?
– Servidor Oliveira – “Assinou a portaria lá, hein?”
– Carlinhos do Embu – (assente)
– Servidor Oliveira – Beleza, então…
– Carlinhos do Embu – Não, meu, você…
– Servidor Oliveira – Beleza, beleza. Tranquilo.
– Carlinhos do Embu – Você sabe que… o jogo político é foda né, Adilson?
– Servidor Oliveira – Beleza, beleza…
– Carlinhos do Embu – Entendeu?
– Servidor Oliveira – Assinou a portaria para demitir um pai de família. Legal… Mas eu vou voltar.
– Carlinhos do Embu – Se Deus quiser.
– Servidor Oliveira – Vai com Deus.
– Carlinhos do Embu – Obrigado.

O servidor gravou o breve diálogo. A defesa apresentada à Justiça começa justamente pelo epílogo da armação – “‘Você sabe que o jogo político é foda né, Adilson?’, frase do vereador Carlos Alberto da Silva Noia, 3º secretário da Câmara Municipal de Embu das Artes, ao tentar justificar a demissão do jornalista Adilson Correia de Oliveira”, frisa Carmo. Carlinhos não foi reeleito. A confissão da perseguição foi em 6 de janeiro de 2020 – faz exato um ano.

OUÇA ÁUDIO EM CARLINHOS DO EMBU CONFESSA QUE SERVIDOR FOI DEMITIDO POR PERSEGUIÇÃO POLÍTICA

RELEMBRE Ney e Hugo perseguem servidor efetivo da Câmara, que denuncia armação 10 dias antes de processo

comentários

>