Policial civil de Taboão é preso acusado de avisar facção sobre operações e receber propina

Especial para o VERBO ONLINE

Um policial civil de 49 anos de Taboão, que teve diálogo com advogada ligada ao PCC interceptado, e outros 14 foram denunciados à Justiça pelo MPE | Divulgação

ALCEU LIMA
Especial para o VERBO ONLINE, em Taboão da Serra

Um policial civil de 49 anos de Taboão da Serra teve a prisão preventiva decretada, acusado de receber propina do PCC (Primeiro Comando da Capital) para, em troca, passar com antecedência à facção informações sobre operações policiais contra o grupo criminoso. A Justiça também aceitou a denúncia do Ministério Público Estadual contra outras 14 pessoas investigadas por organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção e receptação.

A informação foi publicada pelo UOL. Dos 15 acusados, 12 são advogados, dos quais oito estão presos desde o mês passado. Segundo o MPE, os advogados integram a célula jurídica nacional do PCC e foram contratados para defender os líderes da facção criminosa encarcerados nos presídios federais de Brasília, Mossoró (RN), Porto Velho, Catanduvas (PR) e Campo Grande. O processo está sob segredo de Justiça, daí que os nomes não foram divulgados.

Investigações do MPE apontam que o policial “estabeleceu relação promíscua com o PCC, desde o mês de agosto passado, quando começou a repassar para a facção informações sobre diligências policiais, frustrando assim o resultado das operações”. Escutas telefônicas autorizadas pela Justiça apontaram que o diálogo do agente era com uma advogada, também presa, acusada de contratar colegas para integrar o “escritório”, a célula jurídica do PCC.

Em uma das conversas interceptadas pelo MPE, o policial alerta a advogada: “Estamos indo lá para intimar a mulher do Toti. Dá um toque nela lá, se tiver alguém na casa, por favor, para ela sair correndo, para não achar ninguém lá. Ajuda nós… Acho que daqui a meia hora estamos lá”. Segundo os promotores, a propina paga ao policial civil era feita pela coordenadoria nacional do braço jurídico do PCC, liderada por um presidiário da alta cúpula do grupo.

Ainda de acordo com o MPE, os advogados também eram pagos pela mesma célula e recebiam entre R$ 6 mil e R$ 8 mil mensalmente. A defesa do policial civil preso não foi encontrada pelo portal. O agente teve problemas com a Justiça há cerca de 20 anos. Segundo a Polícia Federal, ele era sócio de uma empresa de segurança que fazia escutas telefônicas ilegais para atuar em investigações paralelas de roubos e sequestros que vitimavam clientes.

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