Buscarini foi ‘infeliz’ sobre ter compromisso ‘menor’ com quem anulou, diz Najara

Especial para o VERBO ONLINE

Buscarini (PSD) fala em coletiva que Aprígio e ele têm 'compromisso menor' com quem anulou voto; Najara (PSOL) critica fala 'excludente' | Reprodução/Verbo

ADILSON OLIVEIRA
Especial para o VERBO ONLINE, em Taboão da Serra

O vice-prefeito eleito de Taboão da Serra, Vicente Buscarini (PSD), mereceu críticas da candidata quarta mais votada na eleição, Najara Costa (PSOL), e do candidato a vice de Eduardo Nóbrega (MDB) – terceiro colocado -, Moreira (PDT), por reprovar os eleitores que votaram nulo. Ambos pregaram o voto nulo no 2º turno, entre Aprígio (Podemos) e engenheiro Daniel (PSDB). Buscarini fez a declaração em entrevista do prefeito eleito Aprígio no dia 3.

Buscarini disse que Aprígio e ele, como eleitos, têm compromisso até com eleitores dos adversários e fez distinção dos que anularam. “Hoje somos prefeito e vice de uma cidade de 300 mil habitantes. Temos um compromisso com aqueles que votaram em nós. Temos um compromisso com aqueles que não votaram. E um compromisso menor com quem anulou o voto. Quem anula não pode cobrar nada de ninguém. Eu repudio essa situação”, disse.

Ao falar ao VERBO, Moreira, atual vereador, disse que Aprígio e Buscarini devem governar para a população inteira, sem diferenças. “Eles foram os vencedores do pleito, então parabenizo-os. Agora, eles têm que lembrar que o período eleitoral acabou e agora vamos entrar em fase de administrar a cidade. Independente de quem votou ou não, eles vão gerir a economia, o dinheiro de todos, e terão, evidentemente, de administrar para todos”, afirmou.

“Quero entender que o compromisso que ele disse ter é com a cidade, o que esperamos dos eleitos é que administrem para o bem do povo. Você pode votar da forma que a sua consciência mandar e depois cobrar para ser atendido pelo poder público, independente se votou em ‘A’, ‘B’, ‘C’, ‘D’ ou anulou. Vivemos em um país democrático, é um direito votar, ser votado e anular o voto”, frisou Moreira – cujo cabeça de chapa apoiou Aprígio.

Najara disse que a fala de Buscarini foi “infeliz”. Citou que Aprígio foi eleito por margem apertada (1.695 votos) e muitos não escolheram nem Aprígio nem Daniel – 63.955 não foram às urnas (29,41%), 12.888 anularam (8,39%) e 6.625 votaram em branco (4,32%). “É lamentável que a chapa vitoriosa, que ainda não tomou posse, já esteja definindo para quem vai governar. A eleição já passou e mostrou que o embate político foi bem acirrado”, disse.

“Taboão da Serra contabilizou gigantesca abstenção somada a um número expressivo de votos nulos e brancos. A maior da história! Para além disso, tivemos a disputa mais acirrada do Brasil neste 2º turno, onde a diferença entre os candidatos foi de pouco mais de mil votos. Quem se elegeu, mediante a todas essas circunstâncias, tem a obrigação de governar para todos e todas que aqui vivem e pagam impostos, que inclusive são bem altos”, afirmou.

Najara avaliou que “a política local sempre governou para um grupo seleto de pessoas” e que a candidatura do partido mostrou que “o povo não aguenta mais essa velha política”. “Essa infeliz declaração só demonstrou como o posicionamento do PSOL no 2º turno foi correto e por isso jamais seria possível compor um governo como esse que na primeira oportunidade declara sua visão excludente e distorcida de sociedade e democracia”, declarou.

Najara, socióloga, disse que defenderá o interesse dos trabalhadores, dos servidores, e lutará por serviços públicos gratuitos e de qualidade. “Estaremos sempre ao lado da população, independente em quem tenha votado. Na democracia todos participam, não vamos permitir cerceamento de direitos por uma condução política inadequada, formada por aqueles que sempre quiseram nos excluir da participação democrática e cidadã”, ressaltou.

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