ALCEU LIMA
Especial para o VERBO ONLINE, em Embu das Artes
Embu das Artes registrou mais quatro mortes por covid-19 em um mês e passou a somar 186 vítimas da doença no total. No período, notificou 359 novos casos e ultrapassou 4 mil – 4.039 exatamente – desde o início da pandemia. Os dados são da Secretaria Estadual de Saúde. A gestão Ney Santos (Republicanos) adota a falta de transparência como política de governo e não divulga boletim atualizado – o último que emitiu é do dia 13, de dez dias atrás.
Embu é o único município da região que não informa o quadro diário da pandemia, que ainda não acabou. A taxa de mortalidade de Embu pela covid-19 passou a ser de 67,3 óbitos por 100 mil habitantes, mas se suspeita que seja mais alta. Um informe interno da Secretaria Municipal da Saúde de 23 de maio indicava que as mortes pela doença no município eram 40. Boletim oficial do mesmo dia divulgado pela gestão, porém, citava 36, mais de 10% a menos.
A suspeita de subnotificação é reforçada pela gestão também esconder o perfil dos óbitos e o número de consultas e internações por covid-19 no hospital de campanha do Vazame, que, por outro lado, serve como centro particular para atender pacientes “VIP”, como a secretária-adjunta Maria Serrano (Saúde). Por falta de transparência, o prefeito foi advertido quatro vezes pelo Tribunal de Contas, que mencionou a possibilidade de rejeição de contas.
“Notifico o responsável para que tome conhecimento do Relatório de Fiscalização de Acompanhamento Especial […], que contém os resultados verificados no enfrentamento do COVID-19, advertindo-o de que a falta de adoção de medidas corretivas, especialmente na transparência de suas ações, poderá implicar, dentre outros, na emissão de parecer desfavorável por ocasião da aprovação das contas da Prefeitura”, disseram os conselheiros do TCE.
A ocorrência de mortes no hospital do Vazaeme só é conhecida quando um paciente de outra cidade da região vem a óbito, por exemplo, de Taboão da Serra, cuja prefeitura – modelo de transparência na pandemia – informa onde o munícipe estava internado. No mês passado, o governo anunciou testagem gratuita, apenas oito meses depois dos primeiros casos. Em maio, o secretário Raul Bueno (Saúde) admitiu que a gestão não tinha comprado o exame.
Moradores reclamaram da falta de teste e disseram que a gestão resolveu ofertar o exame apenas às vésperas das eleições. O prefeito fez “jogo de cena” ao compartilhar postagem de uma pessoa que falava em “gestão exemplar no combate à pandemia” por conta da testagem disponibilizada – opinião suspeita. “Obrigada pelo carinho e reconhecimento”, disse Ney. A mulher é chefe-de-gabinete do vereador Hugo Prado (MDB), eleito vice-prefeito.
SERVIÇO
Centro Médico Embuense de Combate ao Coronavírus
Rua São Lucas, 92, Jardim Vazame, Embu das Artes





