HOSTIL. Equipe de Ney cerca repórter; candidato tem R$ 1,5 milhão em espécie, cita ‘Folha’

Especial para o VERBO ONLINE

Ferrari de Ney em foto da reportagem da 'Folha'; segurança e apoiadores de Ney cercaram repórter-fotográfico do jornal | Almeida Rocha/Folhapress/Reprodução

ALCEU LIMA
Especial para o VERBO ONLINE, em Embu das Artes

A campanha de Ney Santos (Republicanos) hostilizou no último dia 6 jornalistas da “Folha de S. Paulo” quando o prefeito e candidato à reeleição realizava reunião com correligionários e apoiadores de um vereador e candidato aliado, Bobilel Castilho (PSC). O próprio jornal noticiou o episódio em reportagem publicada na quarta-feira (21) que foca que Ney é “suspeito de ter elo” com a organização criminosa que age de dentro de presídios paulistas.

A reportagem da “Folha” (de página inteira) sobre Ney foi com direito a menção a carro luxuoso do político. “Nas últimas eleições municipais, um candidato da Grande São Paulo que andava de Ferrari, declarava patrimônio milionário em dinheiro vivo e tinha financiamento de campanha suspeito fez acender o alerta em autoridades sobre um problema que pode se disseminar nas disputas pelo país neste”, diz o texto jornalístico na abertura.

Sob o “chapéu” (expressão sobre o assunto) “Sombra eleitoral”, a “Folha” relata que, “para a polícia e o Ministério Público, Ney Santos mantém relação com o PCC desde que passou dois anos preso, de 2003 a 2005, suspeito de roubo a uma transportadora de valores”, e que após deixar a cadeia naquele ano “teve o patrimônio multiplicado e, tanto na eleição de 2016 como na deste ano, declarou possuir mais de R$ 1,5 milhão em dinheiro vivo”.

“A posse de recursos em espécie não é ilegal, mas costuma gerar suspeitas por ser uma maneira de encobrir a arrecadação com fontes ilícitas. Oficialmente, sua atividade profissional era posse e administração de postos de combustíveis”, observa a reportagem. O texto lembra que Ney, antes da diplomação como eleito, em dezembro de 2016, foi denunciado pelo MP por lavagem de dinheiro e associação a facção criminosa e alvo de prisão.

“Ney não foi à própria posse por estar foragido”, mas conseguiu a sustar a prisão com um habeas corpus expedido pelo ministro Marco Aurélio Mello, do STF. “Assumiu o cargo 38 dias depois da data marcada”, diz o texto – escapou da prisão ao ter o HC julgado válido com o empate nos votos de Rosa Weber e Luís Roberto Barroso (contra HC a Ney) e Mello e Alexandre de Moraes (a favor); Luiz Fux, hoje presidente do STF, não compareceu ao julgamento.

Graças à liminar, Ney está no cargo até hoje. A “Folha” lista, por outro lado, que Ney responde a vários processos, como aquele em que “foi denunciado sob acusação de fraude em licitação, organização criminosa e corrupção na Operação Prato Feito”. “A investigação apurou pagamento de propina por uma fornecedora de uniformes escolares. Na Justiça Estadual, o processo aberto em 2016 ainda não foi sentenciado”, continua a reportagem.

“Ele também responde a processo sob acusação de disparo de arma de fogo, em 2016, e posse ilegal de uma pistola com numeração suprimida e mira a laser, apreendida com um motorista com quem viajava no interior do estado, em 2019”, relata ainda o texto. Procurada pelo jornal, a assessoria e o escritório de advocacia que defende Ney não se manifestaram. Em anos anteriores, os advogados do político negaram todas as acusações.

O texto termina com o relato de que a “reportagem da Folha esteve presente em um ato de campanha no bairro Jardim Castilho no último dia 6 e foi hostilizada pela equipe do prefeito e seus apoiadores. Um segurança de Ney disse que a presença da reportagem no local era uma ‘safadeza’ porque o evento era apenas para convidados. Na verdade, o ato, promovido por um vereador, era aberto ao público e tinha sido divulgado nas redes sociais”.

“Na ocasião, o segurança e apoiadores cercaram o repórter-fotográfico do jornal que acompanhava o evento e exigiram que ele apagasse as fotos produzidas, o que não ocorreu. A equipe também não permitiu que a reportagem conversasse com o prefeito”, informa a “Folha”. Vários órgãos de imprensa da região já foram atacados por Ney, também o VERBO – que há um mês mostrou que ele ostentou ter duas Ferrari e não declarou nenhuma.

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