RÔMULO FERREIRA
Reportagem do VERBO ONLINE, em Embu das Artes
Mesmo multado em R$ 25 mil por realizar “gigantesco ato de campanha eleitoral” antecipada, o pré-candidato a vereador de Embu das Artes Renato Oliveira (MDB) fez novo “comício” um mês depois da reunião irregular, em conduta vista como deboche à Justiça Eleitoral. O evento foi sábado (29) na “chácara do Ney Santos” (Republicanos), como conhecido o local em que o grupo político do prefeito reúne pessoas para “apoiar” os “candidatos do Ney”.
A “comício” foi noticiado pelo “Embu News” – veja texto aqui. Centenas de pessoas, a maioria funcionários de indicação política do governo, participaram do evento, com proibição de uso celulares em tentativa de esconder o ato. Uma fonte do site encaminhou à reportagem o convite que Renato Oliveira enviou, do próprio celular, para centenas de pessoas participarem do ato, à noite, na estrada da Ressaca, próximo ao Convento Maria Imaculada.
Na mensagem via rede social, Renato disse que os participantes iam contar com ônibus gratuito. “É HOJE – SÁBADO 29 DE AGOSTO. Reunião com o prefeito Ney Santos e o pré-candidato a vereador Renato Oliveira às 20h. LOCAL: Estrada do Ressaca, 110, próximo ao convento. Uso obrigatório de máscara. Teremos transporte saindo de vários bairros [cita 18 locais], entre outros. Espero você”, disparou. Apesar da pandemia, o ato teve grande aglomeração.
Durante a realização, o próprio articulador político de Ney, o chefe-de-gabinete do prefeito, pastor Marco Roberto, diz, porém, que o evento não seria uma reunião, mas um “comício”, conforme vídeo gravado escondido por uma fonte, como reportou o site. Diante do espaço cheio, com pessoas também do lado de fora, Marco Roberto fala, como se vangloriando pelo grande número de presentes: “Meu Deus… Tem um jovem político perdido aqui…”.
“Pessoal, quero agradecer a Deus pela oportunidade de estarmos juntos nesta noite, nessa linda reunião. E, eu digo aqui sem medo de errar, não é reunião, é um comício isso aqui, e agora… cadê o Renato, cadê o Renatinho?”, diz ainda Marco. Fotos feitas no evento mostram telão com imagem de Renato, Ney e o pastor ao microfone. O espaço, que tem estrutura fixa, com telão, aparelhagem de som e cadeiras, é palco de reuniões todos os fins de semana.
A Justiça condenou Renato a pagar R$ 25 mil por realizar lançamento da pré-candidatura, no dia 18 de julho, em estacionamento particular ao lado do parque Francisco Rizzo (centro), que se caracterizou como “gigantesco ato de campanha eleitoral”, em “completa afronta à permissão legal”. A sentença acolheu representação do Ministério Público, que chegou a recomendar a Renato que não fizesse o evento se fosse de iniciativa e custeio próprios.
Contudo, Renato respondeu ao MP “que a iniciativa do evento foi dele, bem como que custeou o evento com custos próprios, em completa afronta à permissão legal exposta no art. 36-A, VI, da Lei 9504/97”. “Como se não bastasse, Renato Oliveira fez do suposto ‘evento’ verdadeiro comício eleitoral, com aposição de telões luminosos, contrariando a lei eleitoral, configurando-se a PROPAGANDA ELEITORAL ANTECIPADA”, denunciou a Promotoria.
Renato é réu por tentativa de homicídio triplamente qualificado ao jogar o carro e derrubar na rodovia Régis Bittencourt o repórter e chargista Gabriel Binho, de moto, no fim de 2017, ao lado do segurança pessoal Lenon Roque. Alvo ainda de tiros disparados do automóvel onde estava a dupla, Binho escapou da morte. Renato, com o comparsa, foi mandado a júri popular pelo crime por motivo fútil, intolerância política. O julgamento é aguardado.
VEJA VÍDEO EM QUE CHEFE-DE-GABINETE DE NEY DIZ QUE ATO NÃO É REUNIÃO, MAS ‘COMÍCIO’ DE RENATO





