ALCEU LIMA
Especial para o VERBO ONLINE, em Embu das Artes
O DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa) prendeu na sexta-feira (14) três mulheres acusadas de envolvimento no assassinato de Murilo Aparecido Belo e em um “tribunal do crime”, que executou o instrutor de autoescola de 31 anos de Embu das Artes. As presas são a ex-mulher do rapaz, I.S.M, de 21 anos, a mãe, C.S., 63, e a amiga D.C.A., de 34. Outros seis envolvidos foram identificados e tiveram a prisão temporária pedida à Justiça.
O caso chocou a região. Murilo, que tinha um filho com a ex-mulher, saiu de casa no dia 7 de janeiro por volta das 20h para ir à residência dela, no Jardim Rosana (zona sul de SP), para levar o filho ao médico, chamado pela jovem, que disse que a criança estava com febre alta. Porém, o instrutor não chegou ao endereço. O carro que o rapaz dirigia foi localizado no dia seguinte, revirado, como se tivesse sido roubado, mas ele continuou desaparecido.
Três dias depois, na sexta 10 de janeiro, o caso ganhou contornos dramáticos quando começaram a circular nas redes sociais dois vídeos em que Murilo confessava ter estuprado o próprio filho, cercado, pelas vozes diferentes que se ouviam, de um grupo de criminosos – que não apareciam. “Eu abusei do meu filho”, disse, amedrontado, em uma filmagem. No segundo vídeo, ele dizia ter abusado do menino em um domingo em que ficou com a criança.
A família saiu em defesa de Murilo, disse que o rapaz foi forçado a confessar o abuso. A irmã condenou a acusação ao advertir as pessoas a olharem para “uma pessoa sequestrada” e lançou suspeita sobre a ex-mulher de Murilo. “Se a última vez em que meu irmão viu o [nome da criança] meu sobrinho foi em novembro, porque só agora em JANEIRO depois dela (mãe Ísis) ter [viajado] 20 dias para as festas de final de ano, ela vem o acusar?”, postou.
“Como funciona a cabeça de uma mãe que passa vinte e poucos dias viajando com o filho em dezembro e passado dois meses venha a comentar que a criança foi molestado… cobrando um valor que ela queria receber do Murilo Belo de qualquer forma!!!”, continuou a irmã. A jovem contestou ainda que o irmão via o filho “um final de semana sim, o outro não”, mas sim “pegava quando ELA (mãe Ísis) queria, pegando-o e o devolvendo no mesmo dia”.
À época, circulou ainda um áudio em que um homem, não identificado, atribuía a cilada à mãe da criança: “Essas ideia ‘tá’ bem estranha. […] Acho que no final do ano ela andou ameaçando o cara referente a dinheiro, ela queria dinheiro e o cara falou que não tinha como dar. Parece que no telefone desse cara tem umas ideias da mina falando que ele tinha como dar dinheiro e não dava, e uma hora ia dar o jeito de arrastar ele, fazer ele morrer”.
Na ocasião, a ex-mulher disse não saber de nada sobre o desaparecimento do instrutor. Após cinco dias de procura angustiante, sofrimento e terror, no domingo 12 de janeiro, em área de mata próxima à represa Guarapiranga (zona sul de SP), Murilo foi encontrado morto, com um tiro na cabeça – teria sido executado no dia anterior. Laudo técnico-científico divulgado em 5 de fevereiro apontou que o menino não tinha sofrido qualquer violência sexual.
“Em janeiro deste ano, [a vítima] desapareceu. Seus familiares fizeram o boletim de ocorrência. Posteriormente, seu corpo foi encontrado, então não se tratava de um desaparecimento comum e sim um homicídio”, lembrou o delegado Marcelo Jacobucci, do DHPP. A investigação constatou que Murilo foi coagido a admitir o abuso pelos homens que estavam no momento das imagens, que sofreu tortura física e psicológica e também foi embriagado.
A polícia apreendeu o celular da ex-mulher e notou uma conversa que teve com a mãe e a amiga em que falavam sobre a morte do instrutor. “As três teriam encomendado a morte dele, entrando em contato com criminosos que têm ligação com o tribunal do crime e alegando que a vítima teria molestado o filho, de quatro anos, fato este que não ocorreu, haja vista que a criança foi submetida a exames e nada foi constatado”, explicou Jacobucci.
Conforme a família tambem já suspeitava, Murilo foi morto por dinheiro. “Apurou-se que a razão principal deste brutal crime seria pagamento de pensão alimentícia”, completou o delegado. De posse dos endereços e apelidos dos envolvidos, o DHPP identificou todos os suspeitos, um total de nove pessoas, e obteve mandados de prisão e de busca e apreensão junto à Justiça. Como resultado, as três mulheres foram presas temporariamente.
Entre os demais seis envolvidos, o executor do crime, quem atirou na vítima, já está preso por outro delito (roubo). Outros três homens foram levados à delegacia especializada e ouvidos. Os dois restantes são procurados. “A gente não buscou nada, tudo que está acontecendo agora é uma resposta às nossas orações. Nada vai trazer meu Murilo de volta, a gente colocou na mão de Deus, e a vontade dele está se cumprindo agora”, disse Ledinalva Belo, a mãe.