Guarda da GCM de Ney que perseguiu o Verbo foi candidato a vereador pelo PSOL

Especial para o VERBO ONLINE

RÔMULO FERREIRA
Reportagem do VERBO ONLINE, em Embu das Artes

O guarda municipal de Embu das Artes que perseguiu e impediu a reportagem do VERBO de se aproximar do palanque e fotografar o lançamento das pré-candidaturas da ex-presidente do Fundo Social Ely Santos (PRB) – irmã do prefeito Ney Santos (PRB) -, a deputada federal, e do presidente da Câmara, Hugo Prado (PSB), a deputado estadual, no último dia 1º, foi candidato a vereador nas últimas eleições, em 2016. O GCM Marcio Ferreira de Souza concorreu pelo PSOL.

GCM Marcio
GCM Marcio como candidato do PSOL, desfiliado da sigla (alto), e ao impedir VERBO de fotografar Ely e Hugo

VERBO foi barrado quando ia entrar na tenda onde ocorria o ato político, pelo lado direito, pouco antes do meio-dia. O GCM Marcio (à paisana) foi tachativo: “Você do VERBO não pode entrar aqui nem fotografar”. Apesar de o repórter informar que tinha sido convidado pelo pré-candidato Hugo para o lançamento, ele ignorou e alegou que o evento era “fechado”. No entanto, outros órgãos de imprensa entraram e foram saudados com boas-vindas pelo cerimonial.

O secretário Denis Viana (Segurança) silenciou sobre o GCM ter barrado o VERBO. O comandante da Guarda, Marco Viana (irmão de Denis), endossou a ordem de que não era para o site entrar. Ele alegou que Marcio não estava em serviço. “Estava de folga lá, mas ganhando hora extra”, desmentiu um servidor ligado à GCM. A ordem teria partido do secretário adjunto Albertino Dutra, segundo apurou a reportagem. “Ele é pau mandado dos caras”, disse o funcionário.

Marcio, 41, ensino médio completo, que usou o nome “Marcio de Embu” para concorrer, disputou uma cadeira da Câmara Municipal, mas a candidatura foi um fiasco. Ele recebeu só 53 votos e teve a terceira pior votação entre os 13 candidatos do PSOL na última eleição – quase 17 vezes menos votos que o mais bem votado do partido, o Professor Toninho (873), e 63 vezes menos que Rosângela Santos (PT), a mais votada do município para o Legislativo (3.356).

O GCM Marcio tentou a vereança por um partido de esquerda que se declara a favor da liberdade de imprensa – o PSOL se chama Partido Socialismo e Liberdade. Em Embu, o PSOL tem como uma das principais lideranças Joselício Junior, o Juninho, que em 2016 foi o candidato a prefeito pelo partido e hoje é presidente estadual da sigla – e pré-candidato a deputado estadual. Procurado pelo VERBO, Juninho disse que o GCM Marcio não faz mais parte do PSOL.

“Sim, [o GCM Marcio] foi candidato pelo PSOL, mas depois se desfiliou para ir trabalhar com o Denis [secretário de Segurança], não tem mais nenhum vínculo conosco”, disse Juninho. Ele disse que a desfiliação foi “um pouco depois das eleições”. Segundo o sistema de registro de filiação do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o “FiliaWeb”, Marcio ingressou no PSOL só para disputar a eleição – ele se filiou em 21 de fevereiro de 2016 e se desfiliou em 28 de agosto de 2017.

O PSOL é visto como um partido ideológico que não aceita filiados com posições consideradas de “direita”, como o cerceamento à imprensa. Questionado se não faltou ao PSOL critério para aceitar como candidato alguém com o pensamento de impedir o trabalho da imprensa, Juninho foi evasivo. “Não posso responder pelos atos de alguém que não tem vínculo com o PSOL. Ele fez a opção de estar nesse governo [Ney], o que era incompatível conosco”, disse.

> Colaborou o repórter Adilson Oliveira, especial para o VERBO ONLINE, em Embu das Artes
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comentários

  • Não vou fazer juízo de valor, e nem peço para esse site noticioso ser imparcial, pois ele pertence ao Geraldo Cruz, mas seguindo uma lógica, se o Márcio impediu e o CMT Viana disse que ele fez o correto, então a culpa não era do Márcio e sim dos candidatos e de quem chefia ele. Não vi nenhuma foto de um documento autorizando a entrada do Verbo Online. E uma coisa causa estranheza, por que o verbo iria querer fotografa-los e entrevista-los, se a linha editorial é de fazer oposição sensacionalista!?

    • Um membro da GCM nunca perseguiu o VERBO em governos anteriores, muito menos com a anuência do comandante e do subcomandante da corporação, daí que podemos concluir que a conduta pode ser atribuída à GCM sob o governo atual, do prefeito Ney Santos. Obrigado por ser leitor do VERBO ONLINE.

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