‘Mãe’ de famílias pobres, D. Glorinha, fundadora do Cepim, morre aos 97 anos

Especial para o VERBO ONLINE

RÔMULO FERREIRA
Reportagem do VERBO ONLINE, em Taboão da Serra

Maria da Glória Cardoso Ferraz, chamada carinhosamente de Dona Glorinha, fundadora de uma das entidades sociais mais reconhecidas em Taboão da Serra, morreu na manhã desta segunda-feira, aos 97 anos, de câncer. Idealizadora do Cepim (Centro de Proteção à Infância e Maternidade de Taboão da Serra), ela estava internada em uma casa de idosos em São Paulo. Velório e cremação serão no Cemitério da Paz, no Portal do Morumbi (zona sul de SP), a partir das 14h.

Dona Glorinha, fundadora do Cepim e que adotou a Casa dos Velhinhos, em assembleia na instituição em 2013

Dona Glorinha fundou o Cepim em 1958 para atender famílias muito pobres, prioritariamente mães e crianças, em espaço no Jardim Maria Rosa, em Taboão, que só se tornaria município um ano depois, então considerada periferia da metrópole de São Paulo – o imóvel hoje é usado pela prefeitura, mas ainda mantém o mesmo nome. Ela alugou o local ao querer levar o trabalho ainda mais para o “fundão” de Taboão e ajudar também carentes na última fase da vida.

Dona Glorinha incorporou ao Cepim em 1987 um trabalho iniciado por monsenhor Thomaz Raffainer, então pároco do hoje Santuário Santa Terezinha, a pedido do padre, a Casa dos Velhinhos, no Jardim Maria Helena (região do Salete), onde desde 1996 fica a sede da instituição. Em 2013, após 55 anos de atividades ininterruptas, Dona Glorinha, com o peso da própria idade e das filhas à frente da diretoria, passou a administração do Cepim à Cáritas Santa Terezinha.

Hoje, o Cepim desenvolve trabalho de assistência e orientação socioeducativa que inclui aulas de artes marciais, dança, artesanato, panificação e manicure, roda de conversa, em fortalecimento de vínculo familiar, prevenção à maternidade precoce e drogas, com crianças e adolescentes de 7 a 17 anos. Assiste 37 idosos que moram na instituição, com serviço social, psicológico, nutricional, fisioterapia e enfermagem 24 horas por dia, além de ginástica, tai-chi-chuan, artesanato.

Diretoria e funcionários do Cepim ficaram consternados com a morte de Dona Glorinha. “É uma perda muito grande, de um ser humano que pensou a vida inteira no bem estar de uma população toda. Em época em que não se buscava dar oportunidades aos mais vulneráveis vencerem na vida, ela transmitiu que não basta dar o peixe, é preciso ensinar a pescar. Ela deixa uma obra eterna. A Dona Glorinha é eterna pelo legado que deixa”, disse a gerente Roberta Motta.

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