ANA CAROLINA RODRIGUES
Especial para o VERBO ONLINE, em Embu das Artes
A secretária de Assistência Social de Embu das Artes criticou as mudanças no ministério que cuida da assistência com o início do governo interino do presidente Michel Temer (PMDB) e pediu a “continuidade” dos programas sociais, na inauguração do Cras (Centro de Referência de Assistência Social) Nossa Senhora de Fátima, na última sexta-feira (13). Roberta Santos se disse “preocupada” com as primeiras medidas anunciadas pelo novo ministro Osmar Terra (PMDB).

Em breve menção ao fim de discurso na entrega do Cras, Roberta aproveitou estar “diante de tantas autoridades importantes” e criticou as mudanças na pasta que se refere à área. “Ontem [quinta-feira dia 12] tomou posse o novo ministro do Desenvolvimento Social. Estamos um pouco preocupados, ele alterou o nome do nosso ministério, agora é Desenvolvimento Social e Agrário, além do que a sua primeira medida foi rever o programa Bolsa Família”, disse.
Ela exaltou o Suas (Sistema Único de Assistência Social) – equivalente ao SUS da saúde, com atendimento universal e integrado. “Nós trabalhadores do Suas estamos um pouco preocupados com a situação. Ele precisa dar continuidade aos programas e projetos que hoje são universais no Brasil, toda cidade tem Cras, tem Creas [Centro de Referência Especializado de Assistência Social], tem a rede Suas para ser implantada. A gente precisa ter atenção nisso”, disse.
Roberta disse ainda que “o nosso prefeito Chico Brito devia ser exemplo para o novo ministro que assumiu a nossa pasta”, ao procurar elogiar Chico (sem partido, ex-PT), que inaugurava o oitavo Cras desde quando governa Embu, em 2009, e foi secretário de Promoção Social, como era chamada a pasta, no mandato do prefeito Geraldo Cruz (PT). O discurso foi presenciado por vereadores e moradores, além do prefeito, que não fez nenhuma crítica ao governo.
Ao tomar posse, Terra indicou que o programa tem que ter menos beneficiários e ser reduzido. “Eu acho que não deve se mexer nisso agora, mas tem de se ‘oportunizar’ a saída do programa. As pessoas têm que ter e não pode ser objetivo de vida viver só do Bolsa Família, e é o que está acontecendo”, disse. Ele questionou que “se o discurso da presidente [afastada Dilma Rousseff] diz que menos de 10% da população é pobre porque tem 50 milhões de pessoas recebendo o Bolsa Família?”.
Apesar de reprovar a política de assistência do novo governo, Roberta apoia em Embu postulantes à prefeitura e à Câmara do mesmo grupo político responsável pelas medidas que critica. Ela não vê, porém, contradição. “Eu sou assistente social, defensora de uma política pública de assistência social. Não trabalho com partidos políticos. Então, uma coisa é totalmente diferente da outra. Sou contra a saída da Dilma, continuo achando que foi um golpe”, disse a secretária ao VERBO.
Roberta apoia o pré-candidato a prefeito Ney Santos (PRB), que defendeu abertamente o impeachment de Dilma na Câmara Federal e a ascensão de Temer à presidência – “a esperança nasce novamente”, proclamou. Ela também apoia um pré-candidato a vereador do PMDB, partido do então vice. “Samuel Brasil, meu candidato a vereador. Ney Santos, meu candidato a prefeito, sim, mas não entendo que uma coisa tem a ver com a outra”, disse.
Indagada sobre a família ter berço político no PT, Roberta disse não haver incoerência por não apoiar pré-candidatos do partido. “Haveria se eu estivesse no Partido dos Trabalhadores. Não estou mais”, declarou. Ela se exaltou de repente após a pergunta e encerrou a entrevista bruscamente ao dizer que o VERBO deveria conversar com ela pessoalmente, mas ela tinha aceitado falar por telefone. “Agora, se for rápido dá para falar um pouquinho, estou indo para a Campanha do Agasalho”, disse.





