RÔMULO FERREIRA
Reportagem do VERBO ONLINE
Uma semana depois da inundação que causou transtornos e danos materiais na região central, Embu das Artes voltou a ficar debaixo d’água na noite deste sábado (26) após a tempestade que atingiu a região, em enchente ainda pior que provocou caos no centro e vários outros pontos da cidade. Nas redes sociais, moradores revoltados e até a entidade empresarial de Embu não pouparam críticas ao prefeito e outros políticos pelo estado de calamidade do município.
Com novo transbordamento dos rios Embu-Mirim e Ribeirão da Ressaca, a avenida Elias Yazbek, principal acesso ao centro, voltou a virar um rio, inclusive em frente ao Pronto-Socorro Central. “Isso porque é o centro. Imagina os bairros. […] Quem precisa ir no PS morre porque não dá para se locomover… nem ambulância sai e nem entra”, protestou Alessandra Correa, que cobrou a presença de políticos “para passar nesse momento e ficar atolado nessa enchente”.

A rua Paulo do Vale, que ficara alagada no sábado passado, e a rua da Emancipação, fundos da prefeitura, também ficaram completamente inundadas. O próprio prédio da prefeitura, na parte da frente, na rua Andronico dos Prazeres Gonçalves, sofreu enchente – a praça de atendimento, secretarias e setores no térreo ficaram alagados. A prefeitura vai limpar o local e não atenderá o público nos três últimos dias de expediente no ano, desta segunda (28) até quarta-feira.
Ao lado da prefeitura, a avenida São Paulo também foi coberta pela água – apenas os decks de madeira nas pontes sobre o Ribeirão da Ressaca ficaram visíveis. A avenida Hélio Ossamu Daikuara sob viaduto da rodovia Régis Bittencourt no km 279, próximo à Aba Motors, também ficou submersa. Os bairros Votorantim, Vale do Sol, Ressaca, Itatuba e Capuava (regiões central e oeste) alagaram. As estradas Cândido Mota Filho e da Capuava tiveram queda de barrancos.
Bairros próximos ao centro corriam riscos de novos deslizamentos. “A Defesa Civil interditou algumas casas de vizinhos meus aqui no [Jardim] Novo Embu, pois um barranco está ameaçando cair, isso porque já veio um monte de terra para dentro das casas”, disse o morador Manoel Rodrigues à tarde. A prefeitura informou que caiu 100 mm de chuva em 1h10 e que registrou 29 ocorrências, a maioria escorregamento de muros e terra e quedas de árvore, sem vítima.

Embu sofre com as chuvas de verão como outros municípios da região. “Mas agora os pontos de alagamento se multiplicaram”, disse ao VERBO Márcio Amêndola, morador do Novo Embu que estava na vizinha Cotia e só chegou em casa depois de duas horas – em vez dos 30 minutos de costume. A enchente levou a Acise (associação empresarial) a acusar os “prejuízos” e questionar a prefeitura em divulgar pesquisa de que a cidade é a décima melhor de se viver.
No Facebook, moradores afirmam que a enchente se agravou pós mudanças nas regras de ocupação e construção na cidade aprovadas pelo governo Chico Brito (PT) com supressão de vegetação. “Cadê, onde foi parar o seu plano diretor?!”, disse Gessica Vichini ao se dirigir ao prefeito. “Olha aí o que está dando esse monte de construções ‘licitadas’ aqui no Embu. Não era uma cidade turística? Ou virou canteiro de obras e ‘galpões’?”, questionou Anderson Salerno.
A prefeitura, em informe, atribui a enchente ao fenômeno El Niño, que eleva as temperaturas, sem considerar qualquer outro fator. Moradores antigos dizem que a principal causa é o assoreamento dos rios – leitos tomados por sujeira e não limpos pelo poder público que têm a vazão diminuída. Após a enchente no sábado passado, uma enxurrada de lama e pedra descia de um grande galpão em construção na nova avenida Isaltino Victor de Moraes (região central).







É lamentável que esse prefeito não vê as consequências que suas deliberações erradas,estão fazendo com o município.
Como pode a liberação de terraplanagens monstruosas sem um estudo de capitação de águas fluviais e seu direcionamento.
Quem sofre é o povo e o comércio com essa ganância desenfreada desse estúpido e ignorante.
Gosto muito de visitar o Embu, que não pode passar por isso.