RÔMULO FERREIRA
Reportagem do VERBO ONLINE, em Embu das Artes
Após chuva contínua, mas moderada, o rio Embu-Mirim transbordou e alagou vários pontos da região central de Embu das Artes no fim da tarde deste sábado (19), para transtorno de moradores, comerciantes e motoristas. A água cobriu a avenida Elias Yazbek, principal acesso ao centro, por cerca de um quilômetro, inclusive em frente a pronto-socorro municipal, e via ao lado da prefeitura, mas nenhuma viatura de trânsito ou da Defesa Civil apareceu nos locais.

A Elias Yazbek alagou desde a praça da Bíblia, também em frente à padaria Bellas Artes e posto de gasolina ao lado, até a rua Tarcila do Amaral, onde pacientes tiveram que parar diante do rio que se formou, a cem metros do PS Central. “Estou com minha mãe, de 84 anos, no carro para tomar injeção no tratamento de pneumonia. É uma calamidade, o prefeito dá atenção a outras coisas e esquece o que é prioridade”, disse Daniel Ribeiro, 40, do Parque Pirajuçara.
Uma viatura de resgate chegou com paciente com ferimento profundo e também não passou. Carros de passeio que se arriscaram tiveram que dar ré. Micro-ônibus do transporte municipal de prefixo “024” enguiçou no meio da enchente. O morador Antônio Pereira, 48, mulher e filhos, que residem no Santo Eduardo e foram fazer compras, escalaram mureta para fugir da água e alcançar o carro do outro lado. “Essa parte [culpa] é dos governantes, estamos perdidos”, disse.
Já eram 23h, a empresária Simone Palharini, 38, com a filha de 4 anos no colo e o marido resolveram esperar por um parente para contornar pela BR-116 e chegar em casa, na Vila Carmem. “Aquele aterro perto da [empresa] Indeca era nosso piscinão. A obra que fizeram lá é a causadora disso”, disse. A rua Cássio M’Boy, também alagada, tinha só uma fita de sinalização. “Esse Embu é atrasado, não avisam da interdição”, gritou um dos motoristas obrigados a retornar.
Quem conseguiu seguir para o centro histórico se deparou com novo alagamento, na rua Paulo do Vale, em frente ao Despachante Zanella, ao lado da prefeitura. “Pois acredite! Em 2014, minha mãe perdeu tudo, a geladeira dela saiu boiando. Hoje, o escritório está com cinco dedos de água, é que as comportas seguraram, mas na ortopédica [ao lado] perdemos tudo. Ninguém limpa o rio, ninguém limpa o bueiro, um descaso total”, disse a empresária Sueli Zanella, 52.

Veículos maiores passavam e inundavam mais os imóveis. “A gente liga [nas enchentes], pede ajuda, mas a Divitran [divisão de trânsito da prefeitura] não vem, não estão nem aí com a gente. Esses cones, nós que colocamos, ninguém vem segurar o trânsito, conforme passa carro grande faz uma onda e estoura tudo lá dentro”, reclamou ainda Sueli. “Nós que moramos aqui não pedimos muita coisa, só atenção para essa situação”, disse a nora Raquel Rodrigues, 23.
Também com água barrenta pela canela, o empresário Luiz Zanella disse que a enchente ocorreu pelo acúmulo de sujeira no fundo do rio. “O leito subiu cerca de 1 metro e meio. De 3 anos para cá o problema se agravou, a chuva de hoje não seria suficiente para fazer o que fez”, disse. Ele falou que a prefeitura pode estar “engessada por questões ambientais”, mas tem que buscar solução. “Limpeza não é feita, chove, vai o entulho para o rio e acaba ficando”, disse.
O governo Chico Brito (PT) foi contatado pelo VERBO, neste domingo, na situação de emergência, mas não atendeu.
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