RÔMULO FERREIRA
Reportagem do VERBO ONLINE, em Embu das Artes
O prefeito Chico Brito (PT) inaugura “enfim” neste sábado (12), em cerimônia às 10h, a UPA (Unidade de Pronto-Atendimento) Dra. Zilda Arns, no Jardim Dom José (região do Santo Eduardo), após cinco anos de obras e vários atrasos e adiamentos de entrega do equipamento à população, numa localidade muito populosa e carente de serviço de urgência e emergência. A UPA tem uma área construída de mais de 1.800 m2 e três pavimentos, com dois elevadores.
A prefeitura diz que a UPA terá uma equipe de profissionais que contará com dois médicos pediatras e quatro clínicos-gerais por plantão de 12 horas, enfermagem e plantão para urgências odontológicas. Anuncia que o atendimento pediátrico será “personalizado, inédito na região”, sem detalhar. A expectativa é de atender 700 pessoas por dia. A unidade funciona 24 horas e pode resolver quadros como febre e pressão alta, cortes, fraturas, infarto e derrame.

Na UPA, os pacientes mais graves terão prioridade no atendimento com o sistema de “classificação de risco”, garante a prefeitura. Ao entrar na unidade, serão avaliados conforme queixa, sintomas, sinais vitais que apresentarem, quando serão identificados com pulseiras de cores diferentes para cada grau de risco à saúde: vermelha (emergência); laranja (muito urgente); amarela (urgente); verde e azul (menor gravidade – que aguardará por mais tempo por atendimento).
Com a inauguração da UPA, o Pronto-Socorro Vazame passará a ser um hospital-leito, para acomodar pacientes que não puderem ser removidos a outros hospitais ou não tiveram alta, com dois médicos plantonistas e dois diaristas. “O atendimento [de urgência e emergência] vai ser feito na UPA, e vamos transformar o Vazame em um hospital-leito, com 40 leitos: mais conforto ao paciente, o acompanhante de criança e idoso vai poder ficar junto”, disse Chico ao VERBO.
Diante da arrastada construção da UPA, porém, pacientes passaram a ouvir e dizer que o PS Vazame, distante apenas 2 km, seria fechado. “A ideia é reorganizar a rede, o Vazame não será fechado”, desmentiu Chico em agosto. “[Mas] Não tem sentido criar mais um pronto-socorro se os outros dois funcionarem na mesma lógica. Pronto-socorro não é para internação, o Vazame será um hospital-leito de retaguarda para a UPA e o PS Central”, afirmou ele na semana passada.
A reestruturação da rede de saúde municipal para melhor com a construção da UPA, contudo, foi um suplício. Em fevereiro deste ano, Chico atrasou e adiou pela sexta vez, pelo menos, a inauguração do equipamento em intervalo de pouco mais de um ano. A obra começou em 2010, foi visitada por ministro da Saúde que nem mais está no cargo, já faz tempo, e se tornou objeto de grande e crescente insatisfação e descrença da população, principalmente na periferia.
Em novembro, há menos de um mês, moradores ainda diziam que a UPA não ficaria pronta tão cedo. “Eu não sei nem o que vai ser aí, falam que será hospital, até hoje estou desacreditando, porque já faz muito tempo. E está sempre desse jeito [só fachada], já faz mais de dois anos. As pessoas doentes daqui poderiam ser atendidas aí, meu pai mesmo está em casa doente, mas até hoje nada. É uma palhaçada, um descaso”, disse o morador Daniel de Jesus, 49, ao VERBO.
Além da grita da população, Chico viu a “obra sem fim” virar alvo de adversários. Em fevereiro, ao inaugurar UBS atrás do prédio, um grupo de militantes de PSOL e PSTU distribuiu panfleto aos moradores sobre a UPA inacabada. Fazia um ano que o hoje pré-candidato a prefeito Juninho (PSOL) protestou na sessão de aniversário de Embu, quando Chico causou espanto ao dizer que a região esperava há três décadas o PS e “está no lucro” com demora de “só” alguns anos.

Os opositores não foram só domésticos. Em agosto, a vereadora Joice Silva (PTB), de Taboão da Serra, disse que a saúde de Embu – sem a UPA – é horrível e que Taboão sofre por conta da procura de pacientes da cidade vizinha, entre outras. Curiosamente, Chico não rebateu. “Acho que ela tem elementos para fazer críticas à saúde de Embu, Taboão, do Estado, do Brasil. Eu não vou sair por aí criticando o trabalho do prefeito Fernando Fernandes, que é meu amigo”, disse.
Fernando foi, porém, o primeiro a criticar que, enquanto construiu a UPA de Taboão em tempo recorde, em 2013, a de Embu, embora o PS seja concebido pelo governo federal do partido do prefeito de Embu (PT), estava longe de ser inaugurada. Aliás, ele usou o atraso em Embu para dizer que na região só Taboão tem UPA e justificar a sobrecarga na saúde da cidade. E o filho do prefeito, Fabio Fernandes, postou no Facebook que a UPA de Embu era uma obra parada.
Chico atribui a demora à decisão de dobrar a capacidade da UPA. Agora, vira realidade, “enfim”, diz a população, que agora espera que tenha médicos e funcione “de verdade”. Mas o prefeito tem a mesma reação. “Enfim, a UPA será inaugurada, com muita qualidade. Como já expliquei várias vezes, dobramos o tamanho da UPA e o recurso aplicado lá, e vai funcionar a todo vapor”, disse Chico ao VERBO. A UPA custou R$ 5,270 milhões, R$ 3 milhões recurso municipal.
SERVIÇO
Inauguração da UPA Embu das Artes
rua Poços de Caldas, 66 – Jardim Dom José/Santo Eduardo
Neste sábado (12), às 10h





