ADILSON OLIVEIRA
Especial para o VERBO ONLINE, em Taboão da Serra
A Câmara de Taboão da Serra aprovou nesta terça-feira (29) feriado municipal em 1º de outubro, a partir de 2016, na presença de monsenhor Aguinaldo de Carvalho e fiéis do Santuário Santa Terezinha que lotaram a Casa, após árdua negociação entre Igreja e vereadores evangélicos. Os católicos mudaram o nome para dia do Amor Misericordioso de Deus para vencer resistência à aprovação do projeto, mas conseguiram o feriado na data de Santa Terezinha.
Na prática, mesmo com nome “alternativo”, os fiéis do santuário e devotos em geral obtiveram o que queriam, “um dia de guarda”. Empregados em Taboão, deverão estar de folga e terão mais disponibilidade para participar dos festejos de Santa Terezinha. Já os evangélicos, que não aceitam a devoção aos santos, não ficarão, nas palavras de pastores, “constrangidos” em ter que se referir a feriado de cunho católico e terão também mais uma ocasião para culto a Deus.

Aguinaldo disse que há uma semana ainda estava apreensivo sobre o feriado, até ter a “resposta” do novo nome. “Deus tocou meu coração: de que adiantaria sair por aquela porta feliz, com meus irmãos do santuário, se para trás ficassem irmãos derrotados, magoados? Na posse dos srs., conclamei que tivéssemos não uma bancada católica ou evangélica, mas cristã. E não queria ser contrário ao que disse de estarmos juntos nas batalhas que devem ser vencidas”, contou.
“No dia 22, na abertura da novena de Santa Terezinha pedi a Deus que me iluminasse, que o feriado não fosse para dividir Taboão da Serra. Dormi preocupado, mas logo de manhã a resposta veio, está escrita nestas faixas, o dia do amor misericordioso de Deus”, disse o padre, sob aplausos. Ele disse que a própria santa falou a frase e “ajudou muito” contra o impasse, mas todos saíam “vitoriosos”, brindando o amor de Deus “no mundo cercado de violência e ódio”.
Pastor da Igreja Universal, Marco Porta (PRB) disse aprovar o feriado pelo novo “título”. “A base para eu votar favorável é o que é comum entre nós, o amor misericordioso de Deus”, afirmou, ao falar em homenagear os católicos por terem orado por ele quando sequestrado. “Eu os reconheço como verdadeiros cristãos, até para desmistificar que eu, o pastor Eduardo [Lopes] e o vereador Marcos Paulo somos contrários a qualquer coisa que diz respeito aos católicos”, disse.
Marcos Paulo (Pros) exaltou o prefeito Fernando Fernandes (PSDB) e o monsenhor “por chegarem a um consenso”. Ele negou que tivesse postergado o projeto, como presidente da Comissão de Justiça e Redação, e criticou o VERBO. “Era necessário um grande diálogo. Um jornalista, do VERBO ONLINE, postou matéria tentando colocar católicos contra evangélicos, dizendo que o vereador Marcos Paulo segurou na comissão por seis meses. Não foi isso”, declarou.
O VERBO apenas repercutiu que na sessão passada o presidente Cido (DEM), autor do projeto original, como feriado de Santa Terezinha, reclamou de que a matéria foi apresentada por ele em março ou abril e que ainda não tinha parecer da comissão para poder ir a votação, indicando que estava emperrada por questão de convicção de Marcos Paulo. “Sei que o presidente tem seu posicionamento, ideologia, princípios, mas […] o prazo [para parecer] já está vencido”, falou.
Eduardo Lopes (PSDB) disse, também, lamentar que existem, segundo ele, “pessoas no município que torcem por uma guerra religiosa” e que em 16 anos como pastor “nunca” viu “nenhum conflito entre evangélicos e católicos” – em 2005, porém, projeto do próprio Porta de retirar imagens religiosas de locais públicos ofendeu e mobilizou os católicos da cidade. Lopes admitiu, porém, que o tema do feriado foi de “altíssima complexidade” e o “processo, bem exaustivo”.

Também o monsenhor Aguinaldo, que ao chegar à Câmara entregou uma rosa, símbolo da santa, a cada vereador, disse ter ficado “surpreso, não imaginava que pudesse novamente esse assunto ser colocado em pauta”, quando Cido o procurou no início do ano para dizer que pediria o feriado – em 2013, o prefeito prometeu em público apresentar o projeto, mas em reservado disse não poder constranger vereadores evangélicos; em 2014 não cumpriu a palavra.
Fernando assinará a lei do feriado na missa de Santa Terezinha no santuário nesta quinta (1º), dia da santa, às 20h. – depois de 11 anos como facultativo. “Estamos hoje vivendo momento de união, e espero que todo 1º de outubro não seja mais só ponto facultativo, mas o feriado do Amor Misericordioso de Deus. Que todos possam estar em casa, se encontrar com Jesus de forma plena”, disse Cido, radiante. “O povo unido jamais será vencido”, gritaram os fiéis.





