Queda de Gustavo, 5, foi acidente, mas mãe ‘não cuidou’, diz delegado

Especial para o VERBO ONLINE

ADILSON OLIVEIRA
Especial para o VERBO ONLINE, em Taboão da Serra

A morte do menino Gustavo Storto, de 5 anos, que caiu do 26º andar do edifício residencial Pitangueiras I, na avenida Aprígio Bezerra da Silva (paralela à rodovia Régis Bittencourt), na noite desta quarta-feira (16), em Taboão da Serra, foi um acidente e a mãe da criança, a farmacêutica Juliana dos Santos Storto, 33, deve responder por homicídio culposo (sem intenção de matar) motivado por negligência, indicou o delegado-titular do 1º Distrito Policial da cidade.

Juliana teria deixado o filho dormindo e saiu para buscar o namorado na estação de trem Morumbi (zona sul de São Paulo), a mais de dez quilômetros, quando Gustavo caiu. Câmeras de segurança do prédio mostram que a mãe não estava no apartamento na hora da queda, de acordo com a Polícia Civil, que descarta que o garoto tenha sido jogado – o vídeo analisado registra que a farmacêutica saiu às 22h54 e voltou, acompanhada pelo rapaz, à meia-noite em ponto.

Mãe de Gustavo, Juliana, chega à meia-noite e ponto com o namorado, e o menino de 5 anos que caiu de prédio

“Ela ficou aproximadamente uma hora ausente da residência”, disse o delegado Gilson Campinas, que acrescentou que antes nenhuma outra pessoa esteve no imóvel, “só a criança e a mãe”. Ele disse que não se constatou desentendimento nem agressão que pudesse levar à tragédia que chocou a cidade. “Todas as nossas linhas de investigação indicam que não houve nenhum tipo de discussão ou briga neste dia. Não havia sinais de violência na casa”, declarou o policial.

De acordo com a polícia, Juliana retornou apenas cerca de 10 minutos após a queda do menino, daí que a gritaria relatada por testemunhas que teria partido do imóvel foi o desespero da mãe quando percebeu que Gustavo tinha caído, de mais de 80 metros de altura. Quando entrou na residência, a farmacêutica encontrou as luzes acesas e duas cadeiras no box do banheiro. Ao olhar para baixo, viu o filho no estacionamento – ela não foi até onde estava o corpo.

Das duas cadeiras, uma era infantil e estava sobre a outra, encontradas próximas à janela, que 1,60m de altura e 60cm de largura. “O que foi encontrado no banheiro: uma cadeira [comum] e uma cadeira infantil sobreposta a esta, com uma janela, basculante, de dimensão relativamente grande, aberta”, relatou o delegado, sobre o local de onde o garoto caiu. Com a mãe ausente, ele usava tênis e estava com uma mochila, como se buscasse sair de onde estava sozinho.

Separado da mãe de Gustavo há quatro meses, o pai do menino, Giovanni Storto, foi ao IML liberar o corpo do filho e falou em fatalidade. “Foi um acidente”, disse. Juliana deve ser, porém, indiciada por homicídio culposo. “Ela tinha o dever de cuidar da criança, ela não cuidou. Vamos ver a configuração do relacionamento familiar dela, ambiente de trabalho, o ambiente escolar da criança. Isso me indica a relevância da omissão e do abandono”, disse o delegado.

CONTROVÉRSIA
Tio de Gustavo, Giuliano Storto disse que “foi acidente, mas foi negligência, deixar sozinho é revoltante”. A conduta divide opiniões. “Nenhuma mãe quer o mal do filho. Quem nunca deixou o filho um pouquinho sozinho que atire a primeira pedra”, disse Marilia Santos, mãe de um menino de 5 anos, no Facebook. Apesar de ser indiciada, Juliana não deverá ser sentenciada, recebendo o “perdão judicial”, de que não há punição maior de que a perda do próprio filho.

comentários

  • Deveriam ser escutados também os engenheiros-chefes deste empreendimento residencial, e inclusive os profissionais responsáveis pela venda do apartamento à senhora, uma vez que tratava-se de uma moradora que tinha um filho pequeno. Normas de segurança pelo visto não foram totalmente adotadas para o condomínio (provavelmente se preocuparam apenas com a rede no parapeito principal). Segundo a reportagem, o basculante tinha 1,60m por 60cm, largura absurdamente enorme em se tratando de crianças. Que tal evitar novos casos, Sr. Aprígio?

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