Grupo de Chico impõe que petistas ‘calem’ e não dificultem Ney ser presidente

Especial para o VERBO ONLINE

RÔMULO FERREIRA
Especial para o VERBO ONLINE, no Jardim Vazame, em Embu das Artes

O grupo de Chico Brito, que controla com “mão de ferro” o PT de Embu das Artes, decidiu em tensa reunião interna na noite de sexta-feira, dia 12, que os vereadores do partido terão de se abster na votação para presidente da Câmara e deixar o caminho livre para Ney Santos (PSC) ser eleito para comandar a Casa de Leis nos próximos dois anos. A eleição do chefe do Legislativo municipal e demais três postos da mesa-diretora acontece no sábado, dia 20, às 10h.

A deliberação do diretório, no qual o grupo do prefeito é maioria, de a bancada petista abrir mão da disputa pela presidência da Câmara em favor de um vereador que foi eleito em coligação adversária, composta pelo PSDB, rival do partido, ter feito oposição barulhenta no primeiro ano do governo, ter se aproximado de Chico, mas continuar forte crítico do PT causou grande mal estar entre militantes, principalmente os ligados ao deputado estadual Geraldo Cruz.

Reunião em que diretório se posicionou sobre eleição da mesa; de costas, Paulo Giannini, secretário de Chico

“Agora o que não conseguimos entender o por quê dessa atitude muita estranha de votar em um adversário político hoje e ainda mais no futuro”, disse um filiado presente na reunião do diretório. O grupo de Geraldo foi contra a decisão tomada, queria que o partido indicasse um candidato ou apoiasse um vereador das siglas que compõem a base de apoio ao governo para presidente, mas, em minoria no diretório, foi voto vencido. O deputado não foi à reunião.

Os vereadores petistas irão se abster por ter sido definido pelo partido, mas a decisão prevaleceu depois que o grupo de Geraldo ameaçou denunciar à sigla na esfera estadual se os parlamentares escolhessem Ney. Antes, dois tinham manifestado escolher o vereador do PSC, no caso, Edvânio Mendes, apesar de líder da bancada, e Gilson Oliveira, que chegaram a desafiar até instâncias superiores. “Pode me expulsar do partido, mas eu vou votar no Ney”, disseram.

Eles foram pegos de “calça curta”, já que contavam declarar voto em Ney sem ser incomodados. Edvânio teria recuado. Já Gilson disse que mantém o voto e ainda vai justificar. Caso confirmem a opção, deverão ser denunciados por infidelidade partidária e poderão perder o mandato. Presidente do PT, João Leite disse que vai se abster. Doda Pinheiro, atual presidente da Câmara e que pleiteava a reeleição, mas foi rifado pelo partido, deve optar também pela abstenção.

Os vereadores do partido vão se abster para presidente e depois votar em Edvânio para primeiro-secretário, outra decisão tomada por esmagadora maioria do grupo de Chico. Edvânio, pela postura tida como “hostil” aos colegas nos embates em plenário, porém, seria descartado pelos governistas pró-eleição de Ney, mas foi aceito a contragosto por ser a cota do PT negociada pelo prefeito na mesa. Gilson, com saúde frágil, não poderia ser o substituto.

Ney deverá ser eleito presidente da Câmara com 12 ou 13 votos, em reviravolta na escolha arquitetada por Chico, que assume sem reservas enfrentar o desafeto Geraldo para que não seja prefeito em 2016, com apoio até a um candidato não do PT, apontam lideranças ouvidas pelo VERBO. Chico nega a movimentação, mas um “decano” da política local diz que a intenção do prefeito é impedir a volta de Geraldo, que foi reeleito deputado e “vem babando”, à prefeitura.

Chico tinha compromisso de emplacar Gilvan da Saúde, que aceitou fazer a vontade do prefeito e trocou o PPS, ao qual era filiado havia pelo menos dez anos, pelo Pros com a garantia de estar à frente do Legislativo, mas ficou à “míngua”. A mesa-diretora que deverá ser eleita, além de Ney e Edvânio, é composta ainda pelos vereadores Rosana do Arthur (PMDB), como vice-presidente, e Jefferson do Caminhão (PR), que permanecerá como segundo-secretário.

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