Presidência evita eleição da mesa; vereador vê ‘golpe’ e diz ir à Justiça

Especial para o VERBO ONLINE

ADILSON OLIVEIRA
Especial para o VERBO ONLINE, no Jardim Helena, em Taboão da Serra

A presidência da Câmara evitou na noite desta terça-feira, dia 9, a eleição da mesa-diretora do Legislativo para 2015-16 com manobras regimentais e a adiou para a próxima sessão, mas com grande possibilidade de não ocorrer de novo. O vereador Marcos Paulo (Pros), que teve a manifestação de voto da maioria dos colegas para ser o novo presidente, classificou a tática de “golpe” e disse que vai à Justiça para marcação da data da escolha da próxima direção da Casa.

Na quinta-feira, dia 4, Marcos Paulo recebeu declaração de ser o candidato a presidente dos governistas Érica Franquini (PSDB), Cido (DEM), e Ronaldo Onishi (SDD), além dos três da oposição – Érica seria vice, Cido, 1º-secretário, e Onishi, 2º-secretário. O prefeito Fernando Fernandes (PSDB) ficou furioso ante a composição com oposicionistas. Com a manobra, os outros seis vereadores da base ganharam tempo para tentar fazer um ou mais do “Grupo dos 7” mudar de lado.

Vereador Marcos Paulo (Pros) deixa Câmara após sessão em que cobrou realização da eleição da mesa-diretora

Na abertura da sessão, a presidência solicitou ao vereador pastor Eduardo Lopes (PSDB) leitura de trecho bíblico que levou cerca de meia hora e consumiu pelo menos um terço do chamado expediente, quando a eleição deve ocorrer, até as 20h. Em seguida, mesmo com a tribuna popular vedada no prazo pós-eleições, o líder do MST (sem-terra) Paulo Félix foi chamado a discursar. Depois, reunião entre líderes fez praticamente extinguir o tempo para eleição da mesa.

De tribuna, Marcos Paulo leu ponto da Lei Orgânica que determina que a eleição da mesa se realize na primeira sessão de dezembro e disse que mesmo com acordo de que ocorresse na terça seguinte a escolha devia constar na ordem do dia. “Já que não foi votado no dia 2 e no dia 9 [ontem], e não estando na pauta, eu apresento requerimento para que a mesa marque [a eleição] para nova sessão para que os vereadores não tenham cerceados o direito ao voto”, cobrou.

“É um direito do vereador votar, ou favorável ou contrário. É sabido já na imprensa que há uma decisão de alguns em relação ao próximo biênio”, disse Marcos Paulo, em alusão aos vereadores que o querem presidente. “Esperamos que o requerimento seja apreciado, se não for teremos que buscar o Judiciário para que a mesa-diretora possa ser votada na próxima sessão em respeito a decisão judicial, que não gostaríamos, mas estamos vendo que será o caminho”, reagiu.

O presidente Eduardo Nóbrega (PR) respondeu que “por disposição da lei não é necessário nenhum outro ato para que a eleição aconteça”. Ele disse que o requerimento estava acatado de imediato. “A eleição fica marcada para a próxima sessão ordinária, às 18h. Espero que consigamos naquela terça-feira [dia 16], até as 20h, fazermos a eleição. Caso não aconteça, será novamente remetida à próxima sessão e assim por diante até que a nova mesa seja eleita”, disse.

Marcos Paulo deixou a sessão inconformado com o que chamou de “clara manobra”. “Vejo como golpe, tanto que vou entrar amanhã [hoje] na Justiça para que seja marcada a sessão e garantida a prerrogativa dos vereadores de votar na mesa. Na semana que vem, entra o orçamento [projeto para votar], o expediente se reduz a 30 minutos e não dá para escolher a presidência nesse tempo. Infelizmente, os vereadores da mesa são apegados ao poder”, disparou.

Em plenário, Nóbrega disse que desde as 18h falava que a eleição da mesa-diretora aconteceria na sessão, a não ser que o horário do expediente fosse “extinto”, ao negar retardamento dos trabalhos. “Não aconteceu na noite de hoje por conta do encerramento do prazo. Agradeço a todos os líderes que trabalharam de maneira inteligente, consciente de nosso papel. Deixamos a sessão tranquila, cada um procurando entender as razões do outro”, comentou o presidente.

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