ADILSON OLIVEIRA
Especial para o VERBO ONLINE, no Jardim Helena, em Taboão da Serra
Um dos principais trabalhadores que atuaram na construção da nova Câmara de Taboão da Serra garante que a obra “ficou de qualidade, com segurança e bonita”. Ele e mais nove operários foram recrutados no Espírito Santo pela construtora e empreiteira contratadas e executaram a estrutura metálica e escadarias e fizeram a soldagem inteira do prédio. O grupo chegou em 5 de novembro de 2013, mas, enquanto os colegas iam e voltavam, não retornou para casa.

“A parte da estrutura metálica foi todinha nós que fizemos, todo o esqueleto do prédio. Depois de armado, voltamos soldando”, disse o soldador de chaparia Carlos dos Santos, 47, ao VERBO. Ele lembra que não começaram logo que chegaram, por conta de atraso. “Viemos para cá para entregar esta obra em 75 dias, mas ainda estava na fundação, não estava no ponto ainda, ficamos esperando a estrutura metálica chegar. Só depois de 20 dias começamos”, contou.
De acordo com Santos, cerca de 50 homens chegaram a trabalhar ao mesmo tempo na construção, quando, depois da montagem da estrutura metálica, pedreiros e carpinteiros passaram a executar a parte de construção civil, como armação de laje. Ele contou que a obra transcorreu sem acidentes. “Foi tudo tranquilo, a obra atrasou, mas foi por falta de material”, disse. Conforme o tempo em que ficaram parados, o prédio ficou pronto com um mês só depois do prazo.
Santos só questiona na obra a escada metálica na entrada do prédio, que leva aos andares, alternativa ao elevador. Ela chega a balançar. “Os pilares de sustentação deviam ter uma espessura mais grossa. Aquilo foi coisa do projetista, a gente fala uma coisa, o profissional fala outra. Mas ali está seguro, chumbamos as colunas na laje”, explicou o soldador, que mora em um alojamento alugado pela construtora próximo à obra, que teve dez e hoje tem seis moradores.
“É uma obra segura, está na palma da minha mão”, disse Santos ao indicar que sabe como está estruturado cada palmo. “Trabalhei dia e noite aqui, e quem tem responsabilidade pela obra é o soldador, se cair, o processado sou eu”, afirmou, com a perna direita engessada, mas por outra obra. “Só não coloquei as mãos nessas grades. Só por causa do acidente no Morumbi, não deu para fazer esse servicinho”, disse, diante de serralheiros em ação no último sábado.
“Para mim, foi muito importante participar desta obra. Viemos de fora e deixamos uma lembrança, uma obra feita para os paulistas de Taboão. E é a confiança depositada em um trabalhador. Que vocês da cidade sejam muito felizes com o prédio. O difícil nós fizemos, agora vocês se tornam donos, os vereadores e moradores usem bem o espaço, porque vão ver a beleza que ficou”, declarou. Ele teve só um dissabor na estada: teve o celular furtado. Mas parece não ligar.
Obra maravilhosa, pena que as escolas e hospitais estejam caindo aos pedaços.