RÔMULO FERREIRA
Especial para o VERBO ONLINE, em Embu das Artes
Logo depois de atribuir a sentença de cassação de que é alvo a Chico Brito (PT), por causa de “empenhados” advogados em 2012 e hoje secretários municipais, e sugerir má gestão ou irregularidades no governo, o vereador Ney Santos (PSC) recuou nas críticas e não economizou nos elogios ao prefeito de Embu das Artes em entrega de obra no Valo Verde no último dia 22. Ney faz uma guinada no discurso por passar a culpar pelo revés o deputado estadual Geraldo Cruz (PT).
Na sessão no dia 19, no “calor” – 48 horas depois – da anunciada decisão do juiz Gustavo Sauaia, da Justiça de Embu, o mesmo que assinou a perda de mandato do vereador pela primeira vez, Ney disse, atônito, que os advogados Marcos Rosatti e Francisco Iderval, da coligação encabeçada por Chico na campanha há dois anos, “foram duas pessoas importantíssimas na minha cassação”. “Parabenizo os dois, acho que dormiam e acordavam no fórum”, ironizou.

Apesar da fala contra a defesa de Chico, Ney não o citou nenhuma vez. Mas líderes do PT analisam que ele se voltou contra o prefeito. Se pairou dúvida no caso, Ney foi incisivo em relação à gestão de Chico. “Só quero ver se o Judiciário que me cassou vai ter a mesma agilidade de investigar quando eu começar apresentar as irregularidades do município. Em toda cidade tem irregularidades, todo dia no nosso gabinete chegam denúncias”, declarou o vereador.
Na entrega de academia pública no Valo Verde no sábado, Ney citou a cassação, mas mudou o discurso, “esqueceu” as supostas irregularidades no governo, passados três dias, e cobriu Chico de elogios. “Antes de o conhecer, muitas coisas passavam pela minha cabeça. Mas desde a primeira vez que o procurei para atender uma demanda, e não quis saber se eu era de partido A ou B e estava pronto para atender, vi que era uma pessoa diferente”, falou Ney em público.
“Essas pessoas que querem plantar a discórdia entre a gente querem ver destruição, até porque buscam a qualquer custo voltar ao poder, e na verdade não passam de um batedor de carteira do largo 13”, retrucou o vereador, sem nominar. “Mas Embu não quer destruição, o que o município precisa é do que está acontecendo aqui [inauguração de equipamentos de lazer], da creche que vai inaugurar logo, para atendimento de 250 crianças”, afirmou ainda Ney.
Ele fez questão de “esclarecer alguns fatos” no bairro onde nasceu e foi criado. “Por que as pessoas que tiveram a oportunidade, e hoje querem plantar a discórdia, não fizeram lá trás? Prefeito, se amanhã eu tiver que me afastar da Câmara, por qualquer motivo, estou realizado, porque vi as coisas acontecerem em pouco tempo”, afirmou. Apesar da crítica, Ney foi eleito na oposição, na coligação com o PSDB, que se articula para disputar a prefeitura em 2016.
Chico fez rápida menção ao discurso. “Eu quero te agradecer, Ney, pela sua firmeza e sua postura de coerência”, disse o prefeito. Alguns interlocutores do vereador, porém, estranharam o posicionamento enfático pró-governo após ele ter sido “hostil” na Câmara. Conforme apurou o VERBO, Ney confidenciou que a cassação é resultado de manobra de Geraldo, que o quer “fora de combate” na sucessão municipal, falou. “Geraldo Cruz é amigo do juiz de Embu”, teria dito.
> Colaborou o repórter Adilson Oliveira, no Jardim Valo Verde, Embu das Artes