RÔMULO FERREIRA
Especial para o VERBO ONLINE, em Embu das Artes
A coligação pela qual o prefeito Chico Brito (PT) se reelegeu em 2012 – “Pra fazer ainda mais”, de 17 partidos – mudou um advogado na ação contra o vereador Ney Santos (PSC) por compra de votos e “provocou” a Justiça de Embu das Artes a retomar o andamento do processo. No ano passado, o parlamentar teve o mandato cassado, mas retornou à Câmara após cinco meses com anulação da sentença por “cerceamento de defesa”, e o caso voltou à primeira instância.
De volta à Justiça de Embu, o processo se juntou a outros milhares e voltaria a ser analisado em curso normal, sem preferência – não ia ter andamento até chegar a própria vez. Com a mudança de advogado de acusação, porém, a coligação fez o caso ser agilizado, já que qualquer movimentação “chama para a conclusão”, para parecer do juiz com prioridade. Na prática, o processo foi acelerado em oito meses, “foi para frente da fila”, disseram advogados ao VERBO.

Pela coligação, a movimentação foi do advogado Marcos Rosatti, secretário de Gestão de Pessoas do governo Chico, que saiu do processo e passou a procuração de acusação à advogada Luciana Alves Teixeira. Ela é mulher do secretário de Assuntos Jurídicos, Francisco Iderval Teixeira. No meio político e jurídico, a avaliação é de que a troca por outro advogado que trabalha na prefeitura e é cônjuge de secretário foi mero “artifício” para fazer a Justiça retomar o caso.
A manobra é vista como uma investida de Chico pela cassação de Ney e o tirar do páreo em 2016. Ney foi cabo eleitoral da deputada Analice Fernandes (PSDB), que nestas eleições teve votação expressiva em Embu, 14.460 votos, 251 só a menos do candidato do prefeito, João Leite (PT), não eleito. Ney projeta ir para o PSDB para ser candidato a prefeito e já convidou para o partido a vereadora Rosana do Arthur (PMDB), que apoiou Analice e é aliada dos tucanos no Estado.
Para advogados e políticos ouvidos pelo VERBO, a juíza Maria Priscilla Ernandes Veiga Oliveira deve apenas proceder o rito normal do processo e sanar as falhas da condução inicial, a não tomada de depoimento pró-Ney e ouvir acusador sem a presença de advogados de defesa. Uma testemunha já foi ouvida, e a outra foi intimada. A expectativa é que ela confirme a condenação de Ney por compra de votos, em decisão esperada no início de 2015. Ele nega a denúncia.
No último dia 29, a portas fechadas durante sessão, Ney expôs, revoltado, aos vereadores a ação do prefeito. “Sou mais situação do que oposição, porque fazer isso comigo”, disse, segundo apurou o VERBO. Ele teria prometido passar a fazer oposição dura ao governo, mas não consumou. Dez dias antes, em inauguração no Valo Verde durante festa das crianças, Chico e Ney chegaram a trocar elogios sem constrangimentos. A reportagem não localizou Ney nesta quinta.
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