Chico põe mulher de secretário e processo contra Ney Santos é retomado

Especial para o VERBO ONLINE

Chico fala no palco de Ney no Valo Verde, quando articulavam aliança que acabou na eleição de Ney presidente da Câmara | Adilson Oliveira/Verbo - 19.out.2014

RÔMULO FERREIRA
Especial para o VERBO ONLINE, em Embu das Artes

A coligação pela qual o prefeito Chico Brito (PT) se reelegeu em 2012 – “Pra fazer ainda mais”, de 17 partidos – mudou um advogado na ação contra o vereador Ney Santos (PSC) por compra de votos e “provocou” a Justiça de Embu das Artes a retomar o andamento do processo. No ano passado, o parlamentar teve o mandato cassado, mas retornou à Câmara após cinco meses com anulação da sentença por “cerceamento de defesa”, e o caso voltou à primeira instância.

De volta à Justiça de Embu, o processo se juntou a outros milhares e voltaria a ser analisado em curso normal, sem preferência – não ia ter andamento até chegar a própria vez. Com a mudança de advogado de acusação, porém, a coligação fez o caso ser agilizado, já que qualquer movimentação  “chama para a conclusão”, para parecer do juiz com prioridade. Na prática, o processo foi acelerado em oito meses, “foi para frente da fila”, disseram advogados ao VERBO.

Chico Brito discursa na festa das crianças no Valo Verde ao lado de Ney Santos, anfitrião do evento

Pela coligação, a movimentação foi do advogado Marcos Rosatti, secretário de Gestão de Pessoas do governo Chico, que saiu do processo e passou a procuração de acusação à advogada Luciana Alves Teixeira. Ela é mulher do secretário de Assuntos Jurídicos, Francisco Iderval Teixeira. No meio político e jurídico, a avaliação é de que a troca por outro advogado que trabalha na prefeitura e é cônjuge de secretário foi mero “artifício” para fazer a Justiça retomar o caso.

A manobra é vista como uma investida de Chico pela cassação de Ney e o tirar do páreo em 2016. Ney foi cabo eleitoral da deputada Analice Fernandes (PSDB), que nestas eleições teve votação expressiva em Embu, 14.460 votos, 251 só a menos do candidato do prefeito, João Leite (PT), não eleito. Ney projeta ir para o PSDB para ser candidato a prefeito e já convidou para o partido a vereadora Rosana do Arthur (PMDB), que apoiou Analice e é aliada dos tucanos no Estado.

Para advogados e políticos ouvidos pelo VERBO, a juíza Maria Priscilla Ernandes Veiga Oliveira deve apenas proceder o rito normal do processo e sanar as falhas da condução inicial, a não tomada de depoimento pró-Ney e ouvir acusador sem a presença de advogados de defesa. Uma testemunha já foi ouvida, e a outra foi intimada. A expectativa é que ela confirme a condenação de Ney por compra de votos, em decisão esperada no início de 2015. Ele nega a denúncia.

No último dia 29, a portas fechadas durante sessão, Ney expôs, revoltado, aos vereadores a ação do prefeito. “Sou mais situação do que oposição, porque fazer isso comigo”, disse, segundo apurou o VERBO. Ele teria prometido passar a fazer oposição dura ao governo, mas não consumou. Dez dias antes, em inauguração no Valo Verde durante festa das crianças, Chico e Ney chegaram a trocar elogios sem constrangimentos. A reportagem não localizou Ney nesta quinta.

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