ADILSON OLIVEIRA
Especial para o VERBO ONLINE, em Taboão da Serra
Na manhã desta quarta-feira, dia 24, o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra de Taboão da Serra realiza novo protesto em direção à prefeitura que vai bloquear a rodovia Régis Bittencourt. Integrantes do MST partirão do Jardim Salete, na altura do km 274, por volta das 7h30, e caminharão pela estrada até o largo da cidade, aonde deverão chegar entre 8h30 e 9h. Devem participar 1.500 manifestantes. Motoristas devem evitar o trajeto no período, horário de pico.
O MST vai cobrar do prefeito Fernando Fernandes (PSDB) promessa feita em reunião após passeata dos sem-terra em maio de construir escola municipal e creche no entorno do conjunto habitacional João Cândido, no Salete, para onde 400 famílias ligadas ao movimento já devem se mudar até o fim do ano. “O prefeito assumiu o compromisso, e nem licitações foram abertas até agora para construir as escolas”, disse o ex-vereador e líder do MST Paulo Félix ao VERBO.

O MST vai pressionar pela concessão de auxílio-aluguel à lista de nomes apresentados também durante o ato anterior, após triagem da assistência social. “Entrevistaram cerca de 80 dos 320 e nenhuma bolsa aluguel foi concedida”, disse Félix. Outra pauta já reivindicada é a viabilização de 512 unidades habitacionais no terreno de propriedade de Paulo Colombo, em frente ao INSS, no Jardim Helena, que segue com zoneamento para construção de moradia popular.
Diante do impasse ao rejeitar destinação exclusiva da área para habitação com a justificativa de grande adensamento com violento impacto na mobilidade no local, o prefeito fez proposta de implantar as moradias pelo programa “Minha Casa, Minha Vida” e no restante do imóvel um parque. MST e o MTST aceitaram. “Nada saiu do papel. Queremos que nesta quarta ele dê um prazo por escrito. Ele não cumpre o que fala, vamos ver se cumpre o que escreve”, falou Félix.
A área passa por terraplanagem para receber festa do peão a partir de outubro. “É discutível do ponto de vista legal ser destinada a eventos, tem a característica dela definida no Plano Diretor, é área de Zeis, zona especial de interesse social, lá não é para fazer circo, é para moradia popular. Mas não vamos fazer cavalo de batalha por causa do rodeio desde que ele garanta a 512 unidades. Se o prefeito recuar do compromisso, não sei se vai ter rodeio, não”, declarou.
MORTES NO ANTENA
O MST vai cobrar ainda investigação das mortes de duas gestantes e um bebê em uma semana no Antena. Antes da prefeitura, irá à delegacia e entregará um documento ao delegado Gilson Leite. “Vamos pedir apuração rigorosa, ver os inquéritos instaurados”, disse Félix. Falou não recordar que na maternidade na gestão Evilásio Farias (PSB) “ocorreram mortes da forma que estamos vendo” e “temos que ver que com a [gestora] SPDM se gasta três vezes mais que antes”.
“Então, tem que garantir uma qualidade infinitamente melhor. Não estou defendendo o governo passado, nem tenho procuração para isso, mas não me lembro de que tenha fechado o Pronto-Socorro Akira Tada. É uma novidade e um retrocesso”, disse. Para Félix, a desativação tem influência significativa no quadro. “Com certeza! A relação é total, o fechamento do Akira deixou sem saúde milhares de pessoas, toda a população do lado direito da BR. Um absurdo.”
Segundo Félix, o MST não está fazendo oposição ao prefeito. “O movimento não tem só que se preocupar com moradia, tem que se preocupar com qualidade de vida. Não adianta ter moradia e ir no posto e não tem remédio, não consegue consulta, exame. Vai no pronto-socorro e as crianças morrem durante o parto. Outras ações vão acontecer, não só diretamente ligadas à moradia, mas à qualidade de vida dos integrantes do MST e de toda a sociedade”, afirmou.
OUTRO LADO
Fernando diz que uma das mortes de gestantes no Antena foi uma “fatalidade” por um aneurisma e que no segundo caso crê que mãe e bebê morreram em razão do estado de saúde da paciente. Diz que “se houver culpados vão ser punidos”, mas indica ser improvável erro médico em razão de os profissionais envolvidos serem experientes. Ele afirma estar muito satisfeito com a gestão da SPDM e que o Akira foi desativado por não comportar mais um pronto-socorro.





