MST faz ato contra mudanças no Plano Diretor e critica saúde em Taboão

Especial para o VERBO ONLINE

Integrantes do MST em passeata na estr. Kizaemon Takeuti na região do Pirajuçara

ADILSON OLIVEIRA
Especial para o VERBO ONLINE, em Taboão da Serra

Integrantes do MST (sem-terra) de Taboão da Serra realizaram na manhã deste domingo, dia 15, uma passeata na estrada Kizaemon Takeuti desde a divisa com Campo Limpo até o Pirajuçara, em cujo sentido ficou bloqueada. No ato, que transcorreu sem violência, cerca de mil pessoas exigiram destinação de áreas para moradia popular e melhoria na saúde, vagas de creche e bilhete único, e criticaram o prefeito Fernando Fernandes (PSDB) por promessas “não cumpridas”.

MST em passeata na estr. Kizaemon Takeuti na região do Pirajuçara cobra promessas eleitorais do prefeito

“A nossa marcha é por moradia digna, mas não é só por isso. Quem está lutando por saúde pública decente, por mais creches para as mães, pelo bilhete único no transporte em Taboão, quem quer a volta dos cobradores nos ônibus levanta a mão”, discursou o ex-vereador Paulo Félix, que liderou o ato. Os participantes atenderam. Félix também levou o grupo a manifestar apoio à greve dos professores da rede municipal, que iniciaram a segunda semana de paralisação.

O atendimento na saúde, porém, foi o mais criticado. Félix disse que “o povo não aguenta mais” levar até oito horas para ser atendido nos pronto-socorros e esperar oito meses para receber resultado de exames. Já no fim da feira no Pirajuçara, uma mulher se aproximou do carro de som e disse que fez exame por ter problema renal, mas depois de seis meses o resultado não chegou. “Se fosse o rim do prefeito, o resultado já estava na mão em duas horas”, disse o ex-vereador.

“Queremos que esta cidade seja melhor, ela é muito rica, tem um orçamento de R$ 700 milhões este ano, e aonde vai esse dinheiro? Não somos contra colocar grama sintética no estádio, mas tem que pôr dinheiro na saúde para o povo. Queremos dias melhores para Taboão, não só para a família do prefeito”, falou Félix, em menção a parentes de Fernando ocuparem cargos na prefeitura. Os manifestantes fizeram algumas paradas e bloquearam a Kizaemon nos dois sentidos.

Diante da praça Luiz Gonzaga, policiais militares fecharam a passagem, mas Félix garantiu que a marcha seguiria apenas pela pista sentido Pirajuçara e entrou em acordo com a PM. Ele mirou o prefeito. “Somos contra a violência, fizemos uma marcha pacífica, aqui ninguém quebrou ônibus, orelhão, comércio, ninguém saqueou nada, não é o nosso objetivo. O único fogo que podemos pôr aqui é no rabo dos governantes que não cumprirem compromissos com o povo”, disse.

Em carro de som, Paulo Félix alerta para assembleia extraordinária antes de Câmara votar Plano Diretor

O MST saiu às ruas pela primeira vez desde a tumultuada audiência de revisão do Plano Diretor, no dia 24 de maio, em que Félix diz ter sido agredido por assessores do prefeito. “Pisa ligeiro / Pisa ligeiro / Quem não pode com a formiga / Não atiça o formigueiro”, cantou, em reação ao ocorrido. No fim, Félix focou que o ato visou mobilizar o movimento já que a Câmara “pode votar a qualquer momento” proposta do governo de que área no Jardim Helena não receba projeto de moradia.

OUTRO LADO
Fernando disse que a região sofreu “grande adensamento com a verticalização de vários terrenos” e que não comporta mais destinação “para 3 mil apartamentos”, e que mudou zoneamento do local para receber um parque após pedido da população. “Vejo agora muitos fazendo movimentação e dou nome, o [ex] vereador Paulo Félix, que no passado aprovou na Câmara mudanças no Plano Diretor sem audiência pública e sem passar pelo Conselho de Habitação”, rebateu.

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