DeFau afirma que animais não sofrem maus-tratos nem manejo é inadequado

Especial para o VERBO ONLINE

Gavião, com tumor, um dos dois animais que a prefeitura aceitou que sejam transferidos do zoo municipal

ALCEU LIMA
Do VERBO ONLINE, em Taboão da Serra

O Departamento de Fauna (DeFau) da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo declarou que o Parque das Hortênsias, em Taboão da Serra, não comete maus-tratos aos animais apesar de ter de fazer a readequação dos recintos. Inaugurado em 1978 pelo prefeito Armando Andrade (1940-2013), o zoo municipal, que já teve mais de 300 bichos, abriga hoje cerca de 220, depois que morreram um leão, um casal de tigres, em 2013, e um pavão, no fim de fevereiro.

O DeFau relata o início do acompanhamento externo ao parque, há quase três anos, desde o governo do prefeito Evilásio Farias (PSB), quando surgiram as primeiras denúncias de moradores. “Em 5 de dezembro de 2011, após vistoria, foi emitido termo de advertência contra a prefeitura para a necessária adequação dos recintos e protocolos de segurança (cambiamento,  corredor de segurança, ajuste das telas e distância entre os animais e o público, entre outros)”, diz.

Gavião, de acordo com biólogo, com tumor, um dos animais que ativistas acusam sofrer maus-tratos no zoo

Por causa da advertência, o governo municipal assinou um termo de compromisso de adequação em janeiro de 2012 com prazo de 18 meses para cumprimento total das exigências de melhorias apontadas. À época, a vice-prefeita Márcia Regina (PT) era a secretária (da Cultura) responsável pelo zoo. De acordo ainda com o DeFau, em julho de 2013, com a data estabelecida se esgotando, a nova gestão à frente da prefeitura pediu novo prazo para adequação das instalações.

Após várias reuniões e vistorias acompanhadas pelo Ministério Público, o governo Fernando Fernandes (PSDB) fechou com a própria Promotoria, em fevereiro passado, um termo de ajustamento de conduta (TAC), pelo qual cabe ao DeFau, por meio da Coordenadoria de Biodiversidade e Recursos Naturais, fiscalizar o cumprimento do acordo. O secretário de Cultura, o vice-prefeito Laércio Lopes, responde pela execução das melhorias determinadas em documento.

“Embora haja evidente necessidade de readequação dos recintos (uma das razões do TAC), não há, contudo, alimentação inadequada, tampouco falta de profissionais capacitados  para o tratamento dos animais, todos eles em idade muito avançada. Fundamental ressaltar que não houve morte de animal algum por maus tratos. Havia no zoológico somente dois leões: uma fêmea (viva e bastante idosa) e um macho que faleceu em função da avançada idade”, relata o DeFau.

O órgão informa que a prefeitura manifestou interesse pela transferência da leoa e de um gavião. “O DeFau aguarda a definição de locais apropriados para as duas transferências. Foi expedida, inclusive, solicitação para várias entidades e ONGs receberem os animais”, diz. Publicada no site do DeFau, a nota, que não se refere ao casal de tigres, tem data de 25 de fevereiro, antes da morte do pavão – enquanto estava em exposição, denunciam ativistas do Ocupa Zoo.

OUTRO LADO
Ao VERBO, a ex-secretária Márcia Regina disse que a gestão passada deu início às reformas. “Aí o mandato terminou, não houve tempo de cumprir a adequação dos recintos”, afirmou. Ela disse não lembrar quais melhorias foram feitas. “Só sei que quando saímos do governo o parque estava em obras no que era possível fazer, o termo exigia aumento dos recintos, e o do leão era quase o parque inteiro”, declarou. O atual vice-prefeito Laércio afirmou que o TAC – com prazo de 2 anos para as obras – será cumprido à risca, mas o parque não terá mais felinos – a leoa, o único no espaço, será transferida.

> Colaborou a Redação

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