RÔMULO FERREIRA
Especial para o VERBO ONLINE, em Embu das Artes
O deputado estadual Geraldo Cruz (PT) realizou no domingo, dia 2, na Câmara Municipal, prestação de contas do mandato, que expôs o racha com o prefeito Chico Brito, do mesmo partido. Nenhum dos vereadores do PT e de partidos da base governista, presidentes das siglas aliadas, secretários e servidores livre-nomeados sob comando do chefe do Executivo compareceram. Geraldo reuniu cerca de 500 apoiadores, mas, sem o respaldo da máquina do governo, a participação foi aquém comparada à do evento no ano passado, que reuniu 2 mil correligionários.
Assessores comemoraram como sinal de força do deputado a presença do presidente do PT no Estado, Emídio de Souza, que elogiou a trajetória política do ex-prefeito e destacou que “todos aqui sabem que existe um Embu antes do Geraldo Cruz e outro depois”. Nos bastidores, lideranças comentavam, porém, que o líder do partido aproveitou para “sentir” a “guerra declarada” entre os petistas locais, que já chegara ao conhecimento do diretório estadual. Emídio é coordenador-geral da candidatura de Alexandre Padilha ao governo paulista, e Chico foi chamado para a campanha.

Alguns funcionários comissionados da prefeitura compareceram à plenária, mas estavam tensos e falavam nos corredores que o prefeito tinha dado o recado de que quem participasse teria de ter uma reunião com ele, com risco de ser exonerado. Segundo o que apurou o VERBO, porém, Chico foi menos incisivo e disse só que não gostaria que os aliados fossem ao evento de Geraldo. Ex-vereador de Itapecerica da Serra, Zé Maria criticou os colegas petistas ausentes. “Todo mundo comeu no prato do Geraldo e agora estão virando as costas para ele”, falou.
Geraldo procurou minimizar a ausência das grandes lideranças do partido na cidade e o rompimento com o sucessor na prefeitura. “Sempre tive divergência com o Chico, como tenho com muitos companheiros do PT, mas não tem racha”, afirmou, após anunciar que concorrerá a novo mandato como deputado estadual. “Ele defendia a possibilidade de eu ser federal, e eu não aceitei, a minha posição era ser estadual”, disse sobre um dos vários conflitos entre ambos, como já na escolha da equipe de Geraldo na Assembleia e demissão em massa de “geraldistas” da prefeitura.
Para Geraldo, “a divergência ficou acirrada no PED [eleições internas do PT], mas já passou”. No entanto, ele cristalizou o racha ao questionar a legitimidade da escolha do novo diretório – com a derrota do presidente que apoiava, Helton Rodrigues, para o vereador João Leite. Assim, Geraldo deverá disputar votos com outro candidato a deputado estadual do partido, hoje, o vereador Doda Pinheiro, lançado por Chico. “Vamos mostrar a vida e a trajetória de 30 anos de lutas do Geraldo junto à população”, disse a assessora Luzia de Souza, ao prever dificuldade com a máquina contra.
A reação à mobilização de aliados de Geraldo em torno da candidatura a mais um mandato na Assembleia foi imediata. O PT sob nova direção, controlado por Chico e João Leite, fará reunião em um sítio em bairro afastado da cidade na manhã deste domingo, dia 9, em “resposta” à articulação do adversário, com reflexo na eleição municipal em 2016. Procurados, Chico Brito e o secretário de Governo, Paulo Giannini, não atenderam as ligações, e os vereadores Edvânio Mendes, líder do PT na Câmara, e Gilvan da Saúde (Pros), líder do governo na Casa, não responderam aos e-mails.
Colaborou a REDAÇÃO





