ADILSON OLIVEIRA
Especial para o VERBO ONLINE, em Taboão da Serra e Embu das Artes
Entre 7 milhões e 100 mil inscritos no país, estudantes de Taboão da Serra e Embu das Artes realizaram no fim de semana, dias 26 e 27, o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e avaliaram a prova como não tão difícil e o tema da redação, sobre a legislação que proíbe dirigir após beber – a “Lei Seca” -, de fácil assimilação e argumentação. A nota, que é utilizada na seleção das universidades federais e como pré-requisito para acesso a programas como o Prouni (programa que confere bolsas em instituições privadas), deve ser divulgada até depois de amanhã, dia 30.
“Hoje [domingo], estava mais fácil, me dou melhor com português e matemática”, disse Ronaldo Aires, 26, morador da Vila Iasi que fez o exame na E.E. Laurita Ortega Mari, no Jardim Clementino. Ele considerou a redação interessante. “Quando saiu a lei seca, foi muito alarde, e hoje é como se não existisse, só falam em fiscalização em época de eventos como o Carnaval. Falta mais política de conscientização entre a população, e fiscalização mais ativa por parte das autoridades”, disse o estudante, que chegou ao local de moto, ao lado de viatura da PM que fazia a ronda da escola.
“Tema atual, e não foi o que todo mundo esperava, as manifestações de protesto. Defendi que a mensagem de não estar embriagado ao volante não seja só na propaganda, mas levada para dentro das escolas, para que o jovem entenda os malefícios tanto para a saúde quanto em relação aos acidentes”, disse Renata do Carmo, 19, que deixou o Jardim Maria Rosa, na região central, para fazer a prova na escola na periferia. “Ontem [sábado], cheguei esbaforida, só 5 minutos antes, o trânsito aqui em Taboão é muito intenso. Mas ainda assim foi melhor do que em São Paulo”, contou.

O estudante Richard dos Santos, 18, que mora no Jardim Monte Alegre e também fez o exame na E.E. Laurita, achou o tema atual, “fácil”. “As pessoas deviam se responsabilizar mais por seus atos, é uma lei ainda muito branda”, opinou. Em Embu das Artes, Rita Mariano, 27, fez a prova na E.E. Tadakiyo Sakai, no Jardim Santa Tereza, considerou o exame “mais fácil que em 2011”, quando prestou, e também aprovou a abordagem da redação. “Motorista rico não tinha que ter privilégio na hora de aplicar a lei, que também não devia admitir pagamento de fiança em caso de morte”, observou.
A “Lei Seca” passou a existir em 2008, mas se tornou mais rígida no final de 2012, a partir de projeto aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado pela presidente Dilma Rousseff que determinou que nenhuma quantidade de álcool verificada no bafômetro seria tolerada pela autoridade policial – antes, o motorista não levava multa se fosse flagrado com até 0,1 miligramas de álcool por litro de ar no pulmão. Mas o principal ponto do novo texto é que, além do teste do bafômetro ou exame de sangue, passam a valer como prova exame clínico, perícia, vídeo, testemunhas, por exemplo.
No sábado, o exame exigiu conhecimentos sobre geografia, história, filosofia e sociologia, e química, física e biologia, e no segundo dia, português, inglês ou espanhol e matemática. “O Enem evoluiu, está preparando melhor os alunos do ensino médio. Mas continua um pouco confuso, caem matérias como filosofia que nem todas as escolas têm professor, e com enunciados muito longos e não objetivos”, apontou Renata. Richard disse ter encontrado um erro em uma questão. O Enem teve abstenção alta, de 29% (2 milhões), maior que em 2012 (27,9%). Não há informações por região.





