ADILSON OLIVEIRA
Especial para o VERBO Online, em Taboão da Serra
O carro oficial do prefeito Fernando Fernandes (PSDB) parado em vaga para pessoas com deficiência em shopping na cidade na quinta-feira, dia 3, desrespeitou lei de trânsito e deu, no mínimo, um mau exemplo perante a sociedade. Como no caso de cidadão comum, o veículo “Taboão da Serra – SP [placa] 001 Poder Executivo Municipal” não podia estar estacionado no local reservado e devia ter sido multado em R$ 53,20, com perda de três pontos na carteira de habilitação do condutor, além de ter sido guinchado pelo órgão de trânsito responsável no município.
“Agora, sendo o carro do prefeito, vai ser rebocado? Deveria, ele não tem privilégio algum em relação a outro motorista, mesmo em área privada, o único é já ter placa preta”, disse ao VERBO assessor do presidente-substituto do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), Morvam Duarte. Segundo o conselheiro do Contran (Conselho Nacional de Trânsito – responsável pela regulamentação do Código Brasileiro de Trânsito e atualização das leis do setor) Rone Barbosa, toda autoridade do país deve obedecer exatamente às mesmas regras de trânsito que qualquer outra pessoa.

Postada em uma rede social, a foto do carro público parado irregularmente causou indignação entre moradores e internautas. “Além de estacionar o veículo em local proibido, no mínimo deviam estar passeando com carro oficial. Olha o abuso, prefeito”, disse Jenilson Bezerra. A suspeita é de que o Ford Fusion Titanium, estacionado em estabelecimento privado, estivesse sendo usado para compromissos pessoais. “Isso é uma vergonha!”, resumiu Monica Taborda sobre a reação geral. Um vídeo foi divulgado pelo portal de notícias G1, enviado por Decio da Silva. “Ótimo exemplo”, ironizou.
“Mau exemplo é você [repórter] e eu pararmos, um prefeito parar em local proibido é muito mais grave, o exemplo deve vir das lideranças políticas. Não há justificativa que não a arrogância e a total falta de espírito de vida em sociedade. A filosofia é clara: sobre o governante a lei deve pesar mais, bem como o sentido de cobrança”, diz o cientista político Humberto Dantas, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. “E parar em vaga de pessoa com deficiência é infração prevista no código de trânsito, vai muito além de deslize ou mau exemplo.”
A reportagem encaminhou e-mail à prefeitura e quis saber por que o carro oficial estava parado em um shopping e em vaga reservada a pessoas com deficiência, por quanto tempo permaneceu no local, quem o dirigia e se o prefeito estava no veículo. A assessoria de comunicação enviou resposta e afirma que o desrespeito será averiguado. “O prefeito não tinha conhecimento do fato e as medidas cabíveis com relação à apuração de possível irregularidade serão tomadas. É importante ressaltar que o prefeito não estava no shopping e muito menos no carro”, diz a nota.





