ADILSON OLIVEIRA
Especial para o VERBO Online, em Taboão da Serra
O prefeito Fernando Fernandes (PSDB) participou da missa solene de Santa Terezinha, na terça-feira, 1º de outubro, subiu ao altar para proclamar uma das leituras bíblicas da celebração e depois saudar os fiéis e os padres do santuário, mas não garantiu que vai enviar um projeto de lei para transformar a data em feriado municipal. Na cerimônia, durante pregação após narrativa do evangelho, monsenhor Aguinaldo de Carvalho, pároco da igreja católica no centro, cobrou das autoridades que a padroeira da cidade tenha reconhecimento com um “dia de guarda, como em muitos lugares”.

“Esse feriado não depende de mim, depende de um projeto de lei que a gente tem que enviar para a Câmara aprovar”, disse Fernando. Indagado pelo VERBO se ainda ia estudar, ele disse que não é certeza que o encaminhará. “A Câmara tem pessoas [vereadores] de vários credos e que pensam diferente a respeito de feriados, mas temos que abrir o debate. Se eu fizer um projeto de lei, estou constrangendo a Câmara. Não quero prometer nada, mas prometo que vou discutir com a Câmara essa possibilidade”, declarou o prefeito, após conversar com Aguinaldo ao término da missa.
Chamado à frente de cerca de 3 mil fiéis pelo monsenhor na missa, o prefeito fez, porém, pronunciamento mais favorável ao feriado religioso e sem aventar objeções, sugerindo que o trâmite entre Executivo e Legislativo era apenas protocolar. Em transcrição literal, Fernando disse: “Prometo ao senhor – recebi o recado vindo do seu coração – que vamos, me comprometo, discutir com a Câmara e colocar à aprovação da Casa de Leis o que o nos pediu esta noite, que é o feriado em homenagem a Santa Terezinha”, afirmou. O padre sorriu diante do que chamou de “compromisso”.
Após falar com o prefeito na sacristia, porém, Aguinaldo não tinha o semblante de satisfação e disse ter a expectativa de que o feriado será instituído, mas se mostrou cauteloso. “Deus vai tocar no coração das autoridades e, de repente, esse projeto virá, talvez, de mãos inesperadas, para promover o bem de Taboão da Serra”, declarou. Ele indicou que seria justa a iniciativa. “A primeira comunidade de pessoas, antes mesmo de sermos município, se reuniu aqui onde era a chácara dos frades carmelitas, e daí a cidade foi crescendo, formando comunidades e aspirando à emancipação.”

O monsenhor lamentou que, ao contrário dos três últimos anos, a prefeitura não decretou ponto facultativo. Fernando disse que a paralisação das unidades de saúde adiaria as consultas marcadas em mutirões. No diálogo com o prefeito e vereadores, majoritariamente evangélicos – contrários à devoção aos santos -, o padre procurou sensibilizar de que “quem é do mal ganha com a nossa divisão, a droga aumenta”, e pregou que “Taboão tem o senhorio de Jesus e como padroeira, Santa Terezinha”. As autoridades falaram em “união cristã”, mas que antes discutirão a proposta de feriado.





