ADILSON OLIVEIRA
Especial para o VERBO ONLINE
O cardeal arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer, disse nesta segunda-feira, dia 16, por meio de nota, estar surpreso com as acusações de irregularidades na utilização de verbas tomadas do Ministério do Trabalho pela ONG Ceat (Centro de Atendimento ao Trabalhador), mas afirma que “não podemos aceitar qualquer forma de corrupção ou desvio na gestão dos bens públicos” e que “temos todo o interesse em ver plenamente esclarecidas tais denúncias”.
Ele esclareceu que o Ceat surgiu de iniciativa da Arquidiocese de São Paulo, em dezembro de 2002, “como instrumento idôneo” para “colocação de homens e mulheres no mercado de trabalho”, mas que, “almejando o necessário crescimento como organização civil”, “desvinculou-se” da Igreja e “transformou-se em uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), passando a ter personalidade jurídica independente e gestões administrativa e financeira próprias”.

Após a dissolução do Centro Arquidiocesano do Trabalhador (CAT), como se chamava o projeto original, idealizado pelo então arcebispo dom Cláudio Hummes, a Igreja manteve com o Ceat, de acordo com dom Odilo, apenas um vínculo de apoio por conta da história de fundação e do trabalho “efetivamente desenvolvido nas suas diversas unidades”, em cada região de São Paulo e depois no Rio de Janeiro. “Confiou no trabalho daqueles que haviam ajudado a fundar o Ceat”, disse.
De acordo com “O Estado de S. Paulo”, os gestores do Ceat estão sob investigação por desvio de R$ 18 milhões de um convênio. Interceptações telefônicas da Polícia Federal identificaram os movimentos do padre Lício de Araújo Vale, diretor de Relações Institucionais, e da presidente, Jorgette Maria Oliveira. Dom Odilo defende que, “respeitada a presunção de inocência e o direito à defesa, os eventuais responsáveis por ilícitos respondam perante a lei por suas ações”.





